Substância do cacau é associada a envelhecimento celular mais lento

Estudo europeu aponta relação entre teobromina no sangue e redução de sinais epigenéticos do envelhecimento.

Redação

Publicado em: 2 de janeiro de 2026

5 min.
Substância do cacau é associada a envelhecimento celular mais lento. - Foto: Canva

Substância do cacau é associada a envelhecimento celular mais lento. - Foto: Canva

Um estudo publicado neste mês na revista científica Aging apontou que pessoas com níveis mais elevados de teobromina no sangue apresentaram sinais de envelhecimento celular mais lento. A substância é um alcaloide encontrado principalmente no cacau e, em menores quantidades, no café e no chá.

A pesquisa analisou dados de 1.669 participantes europeus, com idade média de 60 anos, divididos em dois grupos: 509 mulheres da coorte britânica TwinsUK e 1.160 homens e mulheres do estudo alemão KORA. Os cientistas mediram a concentração de teobromina no sangue e compararam esses níveis com indicadores de envelhecimento biológico obtidos por meio de relógios epigenéticos.

Esses relógios utilizam padrões de metilação do DNA para estimar a idade biológica do organismo, que pode ser diferente da idade cronológica. Segundo os autores, participantes com maior presença de teobromina apresentaram um ritmo reduzido de envelhecimento celular.

O que os pesquisadores observaram

De acordo com a professora Jordana Bell, do King’s College London, autora principal do estudo, o foco da análise foi identificar “etiquetas químicas” que se ligam ao DNA e influenciam a ativação ou desativação de genes. Esses mecanismos epigenéticos não alteram a sequência genética, mas afetam a forma como os genes se manifestam ao longo da vida.

Ao investigar outros compostos presentes no chocolate amargo, os pesquisadores constataram que a associação com o envelhecimento celular persistia apenas em relação à teobromina.

“O que nossos resultados sugerem é que a teobromina pode estar influenciando a atividade dos genes, o que acaba impactando o envelhecimento e a saúde”, explicou Bell.

Associação não significa causa

Apesar dos resultados promissores, os próprios autores ressaltam que o estudo identificou apenas uma associação, e não uma relação de causa e efeito. A pesquisa não avaliou detalhadamente a dieta dos participantes, nem a quantidade ou o tipo de chocolate consumido.

Além disso, os dados foram coletados em um único momento, o que impede a análise dos efeitos da teobromina ao longo do tempo. Especialistas também lembram que os relógios epigenéticos são estimativas dinâmicas e não representam uma medida definitiva do envelhecimento.

Chocolate amargo: como escolher

Nutricionistas ouvidos pelos pesquisadores reforçam que o chocolate amargo pode fazer parte de uma alimentação equilibrada, desde que consumido com moderação. As principais orientações são:

  • Optar por chocolates com 70% ou mais de cacau, que concentram mais compostos benéficos e menos açúcar;
  • Verificar se o cacau aparece como primeiro ingrediente no rótulo;
  • Evitar chocolates processados pelo método holandês, que reduz o teor de polifenóis;
  • Ter atenção ao consumo por gestantes e crianças, devido à possível presença de metais como chumbo e cádmio.

Especialistas também alertam que fatores como alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e controle do estresse continuam sendo determinantes muito mais relevantes para um envelhecimento saudável.


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