A presença crescente de cães e gatos soltos nas ruas tem se consolidado como um desafio de saúde pública em municípios do Sul de Santa Catarina, especialmente na região da Associação dos Municípios da Região de Laguna (Amurel). O alerta é da coordenadora da Vigilância de Zoonoses da Gerência Regional de Saúde de Tubarão, Sabrina Fernandes, em entrevista à Rádio Cidade.
Segundo ela, a região conta atualmente com apenas dois centros de zoonoses estruturados e em funcionamento pleno: um em Tubarão e outro em Pescaria Brava. Ainda assim, a demanda está muito acima da capacidade de atendimento. “A quantidade de animais errantes é enorme, inclusive aqui em Tubarão, e os municípios não conseguem dar conta sozinhos”, afirma.
Riscos à população e limitações do poder público
A superpopulação de animais nas ruas traz impactos diretos à segurança e à saúde da população. Sabrina relata que situações como ataques e mordidas são mais comuns do que se imagina. Ela própria foi vítima de um incidente recente, ao ser mordida por um cão enquanto praticava corrida na Avenida Marcolino Martins Cabral.
Além dos riscos à integridade física, os municípios enfrentam entraves financeiros. Manter abrigos e estruturas para acolher todos os animais abandonados exige recursos elevados, o que inviabiliza soluções baseadas apenas no recolhimento.
Castração como estratégia de médio e longo prazo
Diante desse cenário, a principal estratégia defendida pela Vigilância de Zoonoses é o investimento contínuo em programas de castração. Mesmo quando o animal retorna ao ambiente urbano após o procedimento, a medida contribui para a redução gradual da população de cães e gatos nas ruas.
“A castração é fundamental porque atua na raiz do problema. A médio e longo prazo, reduz o número de animais, diminui o abandono e ajuda a evitar situações de agressividade”, explica Sabrina.
Diferenças na estrutura dos municípios
A entrevista também destacou as diferenças na atuação local:
- Tubarão: o Centro de Controle de Zoonoses é gerido pela Fundação do Meio Ambiente, com foco em atendimentos antirrábicos e ações de monitoramento da relação entre saúde animal e saúde humana.
- Pescaria Brava: o município possui uma unidade de Vigilância de Zoonoses com atendimento direto à população, oferecendo serviços veterinários e campanhas gratuitas de castração.
Serviços gratuitos incentivam adoção responsável
Outro ponto ressaltado é a importância de serviços veterinários acessíveis. Muitas famílias de baixa renda acabam acolhendo animais de rua, mas não têm condições financeiras para custear castrações ou tratamentos. A oferta gratuita desses serviços é vista como essencial para estimular a adoção responsável e evitar novos ciclos de abandono.
Proposta de controle populacional
Entre as ações sugeridas para os municípios estão:
- Cadastramento de animais, priorizando famílias em situação de vulnerabilidade e animais de rua;
- Castração prioritária em áreas com maior incidência de problemas, como regiões centrais;
- Recuperação e monitoramento, mantendo o animal sob cuidados por dois a três dias após a cirurgia antes de devolvê-lo ao local de origem, quando necessário.
A castração, além de impedir a reprodução descontrolada, tende a tornar os animais mais dóceis, reduzindo ataques e o abandono de ninhadas indesejadas. Para os especialistas, trata-se de uma política pública que beneficia tanto o bem-estar animal quanto a segurança da população.
FIQUE BEM INFORMADO
📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe;