Cientistas descobrem “galáxia que falhou” dominada por matéria escura

Batizado de “Cloud-9”, o objeto representa a primeira detecção confirmada desse tipo no universo.

Eduardo Fogaça

Publicado em: 13 de janeiro de 2026

5 min.
Cientistas descobrem “galáxia que falhou” dominada por matéria escura. Foto: Divulgação/NASA

Cientistas descobrem “galáxia que falhou” dominada por matéria escura. Foto: Divulgação/NASA

Cientistas anunciaram a descoberta de um novo e raro tipo de objeto astronômico com o auxílio do Telescópio Espacial Hubble. Trata-se de uma nuvem dominada por matéria escura, rica em gás e completamente desprovida de estrelas — um remanescente da formação inicial das galáxias. Batizado de “Cloud-9”, o objeto representa a primeira detecção confirmada desse tipo no universo.

A descoberta foi publicada na revista científica The Astrophysical Journal Letters e traz evidências observacionais para uma estrutura que, até então, existia apenas em modelos teóricos.

O que é a Cloud-9

O objeto pertence a uma classe chamada Reionization-Limited H I Cloud (RELHIC). O termo “H I” refere-se ao hidrogênio neutro, enquanto RELHIC descreve uma nuvem primordial formada nos primeiros estágios do universo, que não conseguiu dar origem a estrelas.

Durante anos, astrônomos buscaram sinais dessas chamadas “galáxias que falharam”. A confirmação só foi possível após observações detalhadas do Hubble, que descartaram qualquer presença estelar na Cloud-9, validando a hipótese teórica.

Uma galáxia que nunca se formou

Segundo o pesquisador Alejandro Benitez-Llambay, da Universidade Milano-Bicocca, na Itália, a ausência de estrelas é justamente o que torna a descoberta tão relevante.

“Esta é a história de uma galáxia que falhou. Não ver estrelas é o que prova que a teoria estava correta. Encontramos no universo local um bloco de construção primordial de uma galáxia que não se formou”, explicou o cientista.

Janela para o universo escuro

A Cloud-9 também oferece uma oportunidade rara de estudar a matéria escura, que compõe a maior parte da massa do universo, mas não emite luz e, por isso, é extremamente difícil de detectar.

Para o astrônomo Andrew Fox, da Associação de Universidades para Pesquisa em Astronomia e do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial (AURA/STScI), a nuvem representa um avanço importante nesse campo.

“Esta nuvem é uma janela para o universo escuro. A Cloud-9 nos dá um raro vislumbre de uma estrutura dominada por matéria escura”, afirmou.

Características que tornam a Cloud-9 única

Entre os principais dados observados pelos pesquisadores, destacam-se:

  • Núcleo composto por hidrogênio neutro
  • Diâmetro aproximado de 4.900 anos-luz
  • Massa de gás equivalente a cerca de um milhão de vezes a massa do Sol
  • Massa estimada de matéria escura em torno de cinco bilhões de massas solares

Comparada a outras nuvens de hidrogênio próximas à Via Láctea, a Cloud-9 é menor, mais compacta e altamente esférica, características que a diferenciam das estruturas já conhecidas.

Impacto para a astronomia

Os astrônomos acreditam que os RELHICs sejam nuvens de matéria escura que não conseguiram acumular gás suficiente para iniciar a formação estelar. A existência da Cloud-9 sugere que muitas outras estruturas semelhantes podem estar espalhadas pelo universo, representando galáxias que nunca chegaram a se desenvolver.

A descoberta reforça a importância de estudar não apenas estrelas e galáxias brilhantes, mas também o gás e a matéria escura. Esses componentes invisíveis são fundamentais para compreender a formação das galáxias, a evolução do universo primordial e a própria natureza da matéria escura.


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