Justiça torna universitária ré pelo assassinato do namorado e amiga

Para o MPSP, o crime foi motivado por “ciúme doentio”, caracterizando motivo torpe.

Eduardo Fogaça

Publicado em: 13 de janeiro de 2026

6 min.
Justiça torna universitária ré pelo assassinato do namorado e amiga. Foto: Divulgação/CNN Brasil

Justiça torna universitária ré pelo assassinato do namorado e amiga. Foto: Divulgação/CNN Brasil

A Justiça de São Paulo tornou ré, nesta segunda-feira (12), a universitária Geovanna Proque da Silva, de 21 anos, acusada de duplo homicídio triplamente qualificado. Ela é apontada como autora da morte do namorado, Raphael Canuto Costa, e de uma amiga dele, Joyce Correa da Silva, após persegui-los e atropelá-los no Campo Limpo, zona sul da capital paulista. O crime ocorreu em 28 de dezembro de 2025.

A decisão foi assinada pela juíza Isadora Botti Beraldo Moro, da 5ª Vara do Júri, que aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP).

Denúncia aponta ciúmes e motivo torpe

Segundo a denúncia, o relacionamento entre Geovanna e Raphael era marcado por brigas frequentes, ameaças de morte e crises de ciúmes. Para o MPSP, o crime foi motivado por “ciúme doentio”, caracterizando motivo torpe.

A promotoria também sustenta que a forma como o crime foi cometido dificultou a defesa das vítimas, que teriam sido surpreendidas durante a perseguição e não tiveram chance de reação antes de serem atingidas violentamente.

Pedido de indenização às famílias

Além da ação penal, o MPSP solicitou que Geovanna seja condenada ao pagamento de R$ 100 mil de indenização para cada uma das famílias das vítimas.

O advogado Fábio Costa, que representa os familiares de Raphael e Joyce, afirmou que recebeu com surpresa positiva o pedido de indenização e espera que o processo avance para julgamento pelo Tribunal do Júri, o chamado Júri Popular.

“Oficialmente, agora podemos dizer que ela é ré por duplo homicídio triplamente qualificado. O próximo passo é aguardar a manifestação da defesa”, afirmou o advogado.

A prisão de Geovanna, inicialmente em flagrante, já havia sido convertida em preventiva, medida que foi mantida no despacho judicial que a tornou ré.

Relembre o caso

De acordo com depoimentos colhidos pela investigação, Geovanna e Raphael mantinham um relacionamento há cerca de um ano. Na madrugada do crime, Raphael participava de um churrasco em sua residência quando passou a receber mensagens da namorada, demonstrando ciúmes de uma mulher presente no local.

Testemunhas relataram que a mulher citada nas mensagens era amiga de infância de Raphael, o que tornaria o ciúme infundado. Em uma das mensagens, Geovanna teria escrito: “Ou você resolve ou eu resolvo”.

Pouco depois, ela foi até a casa do namorado acompanhada da madrasta. Impedidas de entrar, Raphael saiu de moto e, posteriormente, encontrou Joyce, que estava em uma adega próxima. Os dois passaram a ser perseguidos por cerca de 500 metros, até serem alcançados.

Geovanna então atropelou a motocicleta, passando por cima das vítimas. A moto foi arremessada a aproximadamente 30 metros do ponto de impacto. Raphael e Joyce morreram no local.

Tentativa de fuga e prisão

Após o atropelamento, Geovanna tentou fugir, mas passou mal e caiu em uma calçada. Populares tentaram agredi-la, e a Polícia Militar precisou intervir para retirá-la do local. Ela recebeu atendimento médico por cortes superficiais e foi presa em seguida.

Durante o interrogatório, a jovem permaneceu em silêncio. Consta no inquérito que ela já havia sido diagnosticada com transtorno depressivo grave e fazia uso de medicamentos antidepressivos.

Ré foi transferida para presídio feminino

Após a decretação da prisão preventiva, Geovanna foi transferida para a Penitenciária Feminina Sant’Ana, na zona norte da capital, conforme informou a Secretaria da Administração Penitenciária (SAP).


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