Um estudo publicado na revista científica BMC Medicine reforça a importância da alimentação na prevenção de doenças cardiovasculares. A pesquisa aponta que o consumo regular de alimentos ricos em polifenóis — compostos naturais presentes principalmente em vegetais — está associado a melhores indicadores de saúde do coração e a uma progressão mais lenta do risco cardíaco ao longo do envelhecimento.
O levantamento acompanhou mais de 3.100 adultos cadastrados no banco de dados britânico TwinsUK por um período médio de 11 anos. Os participantes com maior ingestão desses compostos apresentaram escores menores de risco cardiovascular, níveis mais elevados de HDL, conhecido como “colesterol bom”, e evolução mais favorável da saúde cardíaca com o passar do tempo.
O que são polifenóis e por que eles importam
Os polifenóis são substâncias bioativas encontradas em alimentos de origem vegetal e reconhecidas por suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Segundo os pesquisadores, dietas ricas nesses compostos estão associadas a um perfil cardiovascular mais saudável, embora o estudo não permita afirmar uma relação direta de causa e efeito.
Um dos diferenciais da pesquisa foi a análise de metabólitos urinários, método considerado mais preciso do que questionários alimentares tradicionais para medir o consumo real de polifenóis.
Alimentos com maior evidência científica
Entre os alimentos avaliados no estudo, alguns se destacaram pelo nível de evidência em relação à proteção cardiovascular:
- Azeite de oliva extra-virgem: apresenta o maior respaldo científico, com associação consistente à redução do risco de doenças do coração.
- Frutas vermelhas: ricas em antocianinas, estão ligadas à melhora da função das artérias e à redução da pressão arterial.
- Café: quando consumido com moderação, demonstra benefício cardiovascular moderado.
- Cacau: apresenta efeitos mais discretos, porém consistentes, sobre a saúde vascular.
Estudos observacionais indicam que uma ingestão diária entre 800 mg e 1,2 g de polifenóis, obtidos exclusivamente por meio de alimentos naturais, está relacionada a melhores desfechos cardiovasculares.
Padrão alimentar é mais importante que consumo isolado
Os pesquisadores alertam que os benefícios não vêm do consumo isolado de um único alimento, como chocolate amargo ou café, mas de um padrão alimentar equilibrado, variado e mantido ao longo do tempo. A combinação de diferentes fontes naturais de polifenóis é apontada como fator decisivo para os resultados positivos observados.
Recomendações e cuidados necessários
Para a população em geral — especialmente pessoas com hipertensão, histórico familiar de doenças cardiovasculares ou outros fatores de risco — a orientação é adotar uma alimentação rica em vegetais, frutas, leguminosas, azeite de oliva e bebidas como café ou chá, sempre com moderação. A prática regular de atividade física e o acompanhamento médico também são considerados fundamentais.
O consumo excessivo, no entanto, exige cautela em alguns grupos. Café deve ser moderado em pessoas com arritmias ou ansiedade; chocolate pode não ser indicado para diabéticos ou indivíduos com obesidade; e não há recomendação científica para o consumo de álcool com finalidade cardioprotetora.
Em síntese, os polifenóis se consolidam como parte relevante de uma estratégia alimentar voltada à proteção do coração, desde que inseridos em um padrão alimentar equilibrado, sustentável e baseado em alimentos naturais — e não em suplementos ou soluções isoladas.
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