Daltonismo: o que é, como identificar e por que muitos não sabem que têm

Condição genética afeta a percepção das cores, é mais comum em homens e costuma ser descoberta apenas em testes específicos

José Demathé

Publicado em: 15 de janeiro de 2026

7 min.

Daltonismo: o que é, como identificar e por que muitos não sabem que têm Foto: Divulgação

O daltonismo é uma condição genética que altera a forma como a pessoa percebe as cores e, em muitos casos, passa despercebida por toda a vida. Isso acontece porque quem nasce com essa característica aprende a identificar o mundo visual a partir da sua própria referência, sem perceber que enxerga as cores de forma diferente da maioria das pessoas.

O tema foi explicado pelo oftalmologista Dr. Neto Pereira, durante entrevista em programa de rádio, ao detalhar como funciona a visão das cores, os tipos de daltonismo e as situações do cotidiano em que essa condição pode gerar dificuldades.

O que é daltonismo

O daltonismo é uma falha na percepção das cores causada pela ausência ou funcionamento inadequado de um dos receptores responsáveis por captar as cores vermelho, verde e azul no olho humano. Esses receptores funcionam de forma semelhante ao sistema RGB utilizado em televisores e telas digitais.

Quando um desses receptores não funciona corretamente, a pessoa passa a ter dificuldade em diferenciar determinadas cores ou tonalidades. Na maioria dos casos, a alteração ocorre na percepção do vermelho ou do verde, que são os tipos mais comuns.

Por que muitas pessoas não sabem que são daltônicas

Uma das principais características do daltonismo é o fato de ele não provocar perda de visão ou dor. A pessoa enxerga normalmente, mas interpreta as cores de forma diferente.

Como a percepção de cor é subjetiva, quem tem daltonismo costuma aceitar como “normal” aquilo que sempre enxergou. Por isso, muitas pessoas só descobrem a condição após testes específicos, exames oftalmológicos ou avaliações escolares.

Tipos mais comuns de daltonismo

O daltonismo pode ser classificado de acordo com a cor que apresenta dificuldade de percepção:

  • Protanopia: dificuldade em identificar tons de vermelho
  • Deuteranopia: dificuldade em diferenciar tons de verde
  • Tritanopia: dificuldade relacionada ao azul, sendo a forma mais rara

Há ainda casos extremamente incomuns em que a pessoa não distingue nenhuma cor, enxergando apenas em tons de preto, branco e cinza.

Como é feito o diagnóstico

O principal exame utilizado para identificar o daltonismo é o teste de Ishihara, composto por imagens formadas por círculos coloridos que escondem números, símbolos ou caminhos.

Durante o teste, o paciente relata o que consegue enxergar em cada imagem. A partir das respostas, o oftalmologista consegue identificar se há alteração na percepção das cores e qual o tipo de daltonismo.

Esse exame pode ser aplicado em adultos e crianças, inclusive com versões adaptadas para quem ainda não reconhece números.

Daltonismo causa limitações no dia a dia?

Embora não seja considerado uma doença, o daltonismo pode gerar dificuldades práticas em algumas situações. Um exemplo citado é o trânsito, especialmente em locais onde os semáforos não seguem o padrão vertical, o que pode confundir pessoas que não diferenciam bem o vermelho do verde.

Ainda assim, por se tratar de uma condição presente desde o nascimento, a maioria das pessoas aprende a se adaptar e convive normalmente com essa característica visual.

A relação com a genética

O daltonismo é hereditário e está ligado ao cromossomo X. Por esse motivo, é muito mais comum em homens do que em mulheres.

Mulheres podem ser portadoras do gene sem apresentar a condição, enquanto os homens, que possuem apenas um cromossomo X, manifestam o daltonismo com mais facilidade quando herdam o gene alterado.

Existe tratamento ou cura?

O daltonismo não tem cura, pois está relacionado à genética. No entanto, existem óculos especiais que ajudam a aumentar o contraste entre as cores, permitindo que algumas pessoas percebam tonalidades que antes não conseguiam distinguir.

Esses óculos não corrigem totalmente a condição e não são indicados para uso contínuo, mas proporcionam uma experiência visual diferente e, para muitos, marcante.

Quando procurar um oftalmologista

Alterações repentinas na percepção das cores ao longo da vida não são consideradas daltonismo e podem estar associadas a doenças oculares. Nesses casos, a orientação é buscar avaliação médica o quanto antes, pois algumas condições podem comprometer não apenas as cores, mas também a nitidez da visão.


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