Mercosul e União Europeia oficializam assinatura de acordo comercial em Assunção

Após 25 anos de tratativas, blocos formalizam tratado que cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. Texto agora segue para ratificação nos parlamentos nacionais.

José Demathé

Publicado em: 17 de janeiro de 2026

4 min.

Mercosul e União Europeia oficializam assinatura de acordo comercial em Assunção Foto: REUTERS/Cesar Olmedo

Líderes do Mercosul e da União Europeia assinaram, neste sábado (17), o acordo de livre comércio entre os dois blocos. A cerimônia, realizada no Grande Teatro José Asunción Flores, em Assunção, marca a conclusão de um processo de negociação iniciado em 1999. O tratado estabelece uma zona de cooperação econômica que abrange 720 milhões de pessoas e um PIB global estimado em US$ 22 trilhões.

Termos do Acordo e Impacto Econômico

O documento prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação em mais de 90% do comércio total entre as regiões. O texto estabelece normas comuns para:

  • Setor Agrícola e Industrial: Padronização de regras para circulação de bens.
  • Investimentos: Facilitação do fluxo de capital entre os Estados-membros.
  • Padrões Regulatórios: Exigências ambientais e direitos trabalhistas integrados.

De acordo com a Comissão Europeia, o Brasil detém papel central na parceria, sendo responsável por 82% das importações europeias oriundas do Mercosul e por 79% das exportações do bloco sul-americano destinadas à Europa.

Representação Brasileira e Clima Político

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à cerimônia, sendo representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. Apesar da ausência, a liderança brasileira foi citada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Paraguai, Santiago Peña, como fundamental para a conclusão da fase de negociações.

O presidente argentino, Javier Milei, e o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, também participaram do ato, ressaltando que o tratado busca oferecer segurança jurídica e previsibilidade em um cenário global de volatilidade econômica.

Trâmite Legislativo e Resistências

A assinatura formal não implica na entrada em vigor imediata das novas regras. O texto precisa agora ser ratificado pelos parlamentos nacionais dos países envolvidos. No caso da União Europeia, o documento passará pelo Parlamento Europeu, enfrentando oposição declarada de países como França, Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria, que manifestaram preocupações com a competitividade do setor agrícola.

Do lado sul-americano, o acordo deverá ser apreciado e votado pelos Congressos Nacionais do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Existe a possibilidade de aplicação provisória de cláusulas comerciais específicas para antecipar a redução de taxas antes da validação total do tratado.


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