A exposição intensa ao sol durante o verão pode trazer riscos pouco percebidos à saúde dos olhos. Um deles é a fotoceratite, conhecida popularmente como “olho queimado de sol”, uma inflamação causada principalmente pela radiação ultravioleta. O alerta foi feito pelo presidente da Sociedade Catarinense de Oftalmologia, Dr. André Frutuoso, durante entrevista concedida nesta terça-feira 20 à Rádio Cidade em Dia 89.9 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, à jornalista Manuela Oliveira.
No bate-papo, o oftalmologista explicou o que é a fotoceratite, quais são os sintomas, os riscos a curto e longo prazo e os cuidados necessários para evitar danos permanentes à visão, especialmente em um período marcado por férias, praia e maior exposição ao sol.
O que é a fotoceratite e por que ocorre no verão
Segundo o Dr. André Frutuoso, a fotoceratite é uma lesão aguda da superfície ocular provocada pela exposição excessiva à radiação ultravioleta. No verão, a incidência aumenta devido à maior intensidade do sol e ao tempo prolongado que as pessoas passam ao ar livre.
A condição é comparável a uma queimadura na superfície do olho, que provoca descamação da córnea e inflamação local. A exposição direta ou indireta ao sol, sem proteção adequada, é o principal fator de risco.
Sintomas aparecem poucas horas após a exposição
Os primeiros sinais costumam surgir poucas horas depois da exposição solar. Entre os sintomas mais comuns estão:
- Sensação intensa de areia nos olhos
- Ardência e dor
- Vermelhidão
- Lacrimejamento
- Sensibilidade à luz
O especialista alerta que o contato com água do mar ou de piscina pode agravar o quadro. O sal e o cloro potencializam a irritação ocular e aumentam o desconforto.
Fotoceratite pode deixar sequelas?
De acordo com o presidente da Sociedade Catarinense de Oftalmologia, os sintomas da fotoceratite costumam ser temporários e, na maioria dos casos, tratados com colírios lubrificantes. No entanto, a exposição solar frequente e sem proteção pode causar danos a longo prazo.
Entre as principais consequências estão:
- Catarata precoce, causada pelo envelhecimento antecipado do cristalino
- Pterígio, conhecido como “carne no olho”, que pode exigir cirurgia
- Degeneração macular relacionada à idade, uma doença grave da retina que pode levar à perda irreversível da visão
Como escolher corretamente o óculos de sol
Um dos pontos centrais da entrevista foi a importância do uso de óculos de sol com proteção adequada. O médico reforçou que óculos de procedência duvidosa, como os vendidos por ambulantes, devem ser evitados.
Para garantir a proteção correta, é fundamental observar:
- Certificação de proteção contra radiação ultravioleta
- Compra em óticas de confiança
- Possibilidade de verificação da lente com aparelhos específicos, disponíveis em óticas e consultórios oftalmológicos
Segundo o especialista, hoje existem opções acessíveis no mercado, o que elimina a justificativa de optar por produtos sem procedência.
Crianças também precisam de proteção
As crianças merecem atenção especial, já que culturalmente não têm o hábito de usar óculos escuros. O Dr. André destacou que, em países como a Austrália, o uso de óculos de sol na infância é comum e incentivado desde cedo.
Quando o uso de óculos não é possível, alternativas como chapéus e bonés já ajudam a reduzir a exposição direta aos olhos.
Quem trabalha ao ar livre corre mais risco
Pessoas que trabalham expostas ao sol, como trabalhadores da construção civil, pescadores e agricultores, devem redobrar os cuidados. Além das doenças oculares, o médico chamou atenção para o risco de câncer de pele na região das pálpebras e da conjuntiva.
Entre as recomendações estão:
- Uso constante de óculos de sol com proteção UV
- Chapéu ou boné para proteção adicional
- Preferência por protetores solares menos oleosos, para evitar que o produto escorra para os olhos
Alerta final dos especialistas
Ao encerrar a entrevista, o presidente da Sociedade Catarinense de Oftalmologia reforçou que a prevenção é o melhor caminho. A proteção adequada reduz significativamente os riscos de doenças oculares e preserva a saúde da visão ao longo da vida.
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