Duas situações recentes envolvendo o alto escalão do governo federal colocaram novamente em evidência o debate sobre o uso de recursos públicos no Brasil. De um lado, os custos da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos; de outro, os salários acima do teto constitucional pagos a servidores do Tribunal de Contas da União (TCU).
Viagem de Lula à ONU custou cerca de R$ 6 milhões
O presidente Lula esteve em Nova York, em setembro de 2025, para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com documentos do Ministério das Relações Exteriores enviados à Câmara dos Deputados, a viagem custou aproximadamente R$ 6 milhões aos cofres públicos.
Os maiores gastos foram com hospedagem, que somaram mais de R$ 2,9 milhões. Além disso, cerca de R$ 3 milhões foram destinados à compra de itens de escritório e serviços de tradução. Mesmo com a decisão de reduzir o tamanho da comitiva presidencial, o valor final chamou a atenção de parlamentares e da opinião pública.
As críticas ganharam ainda mais força pelo contexto da visita, realizada em meio a tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, o que levou parte dos especialistas a questionar a relação custo-benefício da agenda internacional.
Servidores do TCU recebem acima do teto constitucional
Paralelamente, um levantamento obtido por meio da Lei de Acesso à Informação revelou que a maioria dos servidores do TCU tem recebido salários acima do teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46,3 mil.
Entre 2023 e 2025, aproximadamente R$ 55 milhões foram pagos em valores que ultrapassaram esse limite. O caso mais emblemático é o de Mauricio de Albuquerque Wanderley, diretor de auditoria externa do TCU junto à ONU, que recebeu salário médio mensal de R$ 187 mil. Apenas em dezembro de 2025, ele acumulou R$ 80 mil em diárias e auxílios.
Segundo o próprio TCU, esses pagamentos são considerados indenizatórios e, por isso, não entram no cálculo do teto constitucional nem sofrem desconto de Imposto de Renda.
Outros casos e impacto crescente
Outros servidores em missão internacional também aparecem na lista, como Tiago Dutra e Ana Paula Sampaio, ambos com salários mensais superiores a R$ 160 mil. Já no Brasil, chama atenção o caso de Elaine Dantas, chefe de gabinete da presidência do TCU, que chegou a receber R$ 103 mil em um único mês, somando auxílios e diárias.
O cenário pode se agravar ainda mais com um projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, que aguarda sanção do presidente Lula. A proposta cria licenças compensatórias para servidores comissionados, convertidas em indenizações isentas de imposto e fora do teto constitucional. O impacto estimado da medida é de R$ 24,5 milhões por ano.
Debate sobre controle e transparência
Embora o governo e os órgãos envolvidos afirmem que todos os gastos e pagamentos seguem a legislação vigente, especialistas e parte da população questionam a falta de controle efetivo, os privilégios concedidos ao topo da máquina pública e o distanciamento em relação à realidade da maioria dos brasileiros.
O contraste entre a cobrança por contenção de despesas imposta à população e os gastos elevados no alto escalão do poder público reforça, segundo analistas, a urgência de mudanças na gestão e na transparência do dinheiro público.
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