Casal é condenado por latrocínio de venezuelano empurrado de penhasco em Araranguá

Réus também foram condenados ao pagamento de R$ 20 mil em indenização para os familiares da vítima.

Maiquel Machado

Publicado em: 20 de janeiro de 2026

6 min.

Julgamento condenou quatro pessoas pelo crime de latrocínio que resultou na morte de um homem venezuelano no Morro dos Conventos, em Araranguá. A ação criminosa ocorreu na madrugada de 8 de março de 2025 e teve grande repercussão pela extrema violência empregada. Dois réus — um homem e uma mulher — receberam penas de 27 anos e 4 meses e 30 anos e 8 meses de prisão, respectivamente, ambos em regime inicial fechado. Outros dois homens foram condenados a um ano de reclusão cada, em regime aberto, pelo crime de receptação.

A sentença foi proferida pela 1ª Vara Criminal da Comarca de Araranguá, acolhendo integralmente a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), por meio da atuação conjunta da 3ª e da 4ª Promotorias de Justiça do município.

Crime premeditado e execução em local isolado

De acordo com a denúncia do MPSC, a vítima foi atraída por uma mulher que fingiu interesse afetivo e marcou um encontro previamente combinado com outros envolvidos, entre eles três adolescentes. O grupo encontrou o homem em uma conveniência em Araranguá, onde os acompanhantes foram apresentados de forma enganosa para não levantar suspeitas. No local, a vítima foi induzida a consumir bebidas alcoólicas até ficar embriagada.

Em seguida, o grupo convenceu o homem a levá-los até o Farol do Morro dos Conventos, área isolada e próxima a um penhasco com mais de 80 metros de altura. No local, o homem adulto, com a participação dos adolescentes, anunciou o assalto, roubando as chaves do carro, a carteira e o celular da vítima. Diante da recusa em pular do penhasco, a vítima foi empurrada, sofrendo traumatismo cranioencefálico fatal em decorrência da queda.

Após o crime, os autores fugiram com o veículo da vítima e continuaram utilizando os bens roubados entre Araranguá e Balneário Arroio do Silva. No dia seguinte, a mulher e dois adolescentes seguiram para o Rio Grande do Sul, com apoio do padrasto dela, que tinha conhecimento da origem criminosa do automóvel. O carro foi apreendido em São Leopoldo (RS) após abordagem da Brigada Militar.

Condenações e agravantes

A mulher foi condenada por latrocínio, com agravantes de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de corrupção de menores (três vezes) e fraude processual, por tentar dificultar as investigações. A pena total foi fixada em 30 anos e 8 meses de reclusão.

O homem que participou diretamente da execução recebeu pena de 27 anos e 4 meses de prisão, também por latrocínio qualificado e corrupção de menores. Ambos deverão pagar R$ 20 mil de indenização aos familiares da vítima e tiveram negado o direito de recorrer em liberdade.

Os outros dois réus — responsáveis por conduzir o veículo após o crime — foram condenados por receptação, a um ano de reclusão cada.

Ministério Público destaca gravidade do crime

Para o promotor de Justiça Gabriel Ricardo Zanon Meyer, as penas refletem a gravidade dos fatos. “As condenações são proporcionais à extrema crueldade do crime, cometido com total desprezo pela vida humana. A vítima foi retirada do convívio familiar para satisfazer interesses momentâneos de lucro, usados para comprar bebida e festejar ainda na noite do crime”, afirmou.

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