O acordo entre a União Europeia e o Mercosul pode representar um novo ciclo de oportunidades econômicas para Santa Catarina, especialmente no médio e longo prazo. A avaliação é do secretário de Estado da Articulação Internacional, Paulo Bornhausen, que tratou do tema em entrevista concedida nesta quarta-feira (21), à rádio Cidade em Dia 89.9 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, em conversa com o jornalista Denis Luciano.
Segundo o secretário, apesar da expectativa positiva, os efeitos do acordo não serão imediatos. Ele lembrou que as negociações levaram mais de duas décadas para chegar a um consenso e ainda enfrentam resistências internas na Europa, sobretudo entre produtores rurais e setores do Parlamento Europeu. Ainda assim, Bornhausen avalia que o cenário internacional torna o acordo ainda mais relevante.
“Vivemos um mundo cada vez menos cooperativo e mais conflituoso. Tudo o que cria canais de diálogo, comércio e prosperidade precisa ser estimulado”, afirmou.
Relação histórica e estratégica com a Europa
Durante a entrevista, o secretário destacou a forte ligação histórica e cultural de Santa Catarina com países europeus. Estima-se que mais de 60 mil catarinenses tenham dupla cidadania italiana, além de outros milhares com vínculos alemães, portugueses, poloneses e de diferentes nacionalidades do continente.
Esse contexto reforça a importância da União Europeia como parceira econômica do Estado. Atualmente, o bloco é o segundo maior parceiro comercial de Santa Catarina, tanto nas exportações quanto nas importações, atrás apenas dos Estados Unidos.
Para Bornhausen, o acordo vai além do comércio. “É um acordo civilizatório, que amplia a cooperação em áreas como educação, cultura, sustentabilidade e inovação, puxando os padrões sempre para cima”, avaliou.
Setores que podem ser mais beneficiados
Questionado sobre os segmentos econômicos com maior potencial de ganhos, o secretário apontou o agronegócio como o primeiro a sentir os efeitos positivos. Santa Catarina, segundo ele, ocupa posição de destaque em mercados premium de carnes suína e de frango, com alto valor agregado.
Um exemplo citado foi o de empresas do agronegócio catarinense que já exportam produtos diferenciados e devem ampliar significativamente sua presença no mercado europeu com o aumento das cotas previstas no acordo.
Além do agro, outros setores industriais foram destacados:
- Setor moveleiro, que pode diversificar mercados após dificuldades recentes com os Estados Unidos;
- Metal-mecânico, com destaque para a produção de eletromotores e equipamentos industriais;
- Náutico, com fabricação de barcos e embarcações de lazer;
- Defesa, área considerada estratégica diante do aumento dos investimentos europeus em segurança e tecnologia militar.
Santa Catarina já abriga projetos relevantes nesse segmento, como a construção de fragatas da Marinha do Brasil em Itajaí, envolvendo investimentos bilionários e transferência de tecnologia.
Tecnologia, turismo e agenda internacional
Bornhausen também ressaltou o potencial da tecnologia e da inovação, citando empresas catarinenses com capital europeu e atuação global. Ele confirmou agendas internacionais do governo do Estado, incluindo missões à Suíça e à Bélgica, com foco em parcerias tecnológicas e preparação de uma futura visita do governador Jorginho Mello à União Europeia.
No turismo, a existência de voo direto entre Florianópolis e Lisboa foi apontada como um diferencial que pode impulsionar ainda mais a aproximação com o continente europeu, fortalecendo o fluxo de visitantes e negócios.
Consulado italiano e perspectiva de novos voos
Outro tema abordado foi a inauguração do Consulado Geral da Itália em Florianópolis. Segundo o secretário, a nova estrutura facilita a vida de cidadãos italianos e descendentes em Santa Catarina e fortalece as relações institucionais.
Durante encontro com o embaixador da Itália, o governador Jorginho Mello também manifestou interesse em trabalhar, a longo prazo, pela viabilização de um voo direto entre Florianópolis e Roma. A iniciativa ainda está em fase inicial, mas já integra a agenda estratégica do Estado.
Para Bornhausen, o foco do governo catarinense é claro: ampliar parcerias internacionais, fortalecer o setor produtivo e gerar emprego, renda e desenvolvimento sustentável para Santa Catarina.
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