Convívio com gatos altera hormônios ligados ao estresse e ao afeto

Pesquisas indicam que interações respeitosas com felinos influenciam o humor e a saúde emocional de humanos e animais

Redação

Publicado em: 22 de janeiro de 2026

6 min.
Convívio com gatos altera hormônios ligados ao estresse e ao afeto. - Foto: Canva

Convívio com gatos altera hormônios ligados ao estresse e ao afeto. - Foto: Canva

Gatos e humanos constroem vínculos mais profundos do que se supunha até pouco tempo. Estudos científicos recentes indicam que a convivência diária entre pessoas e felinos pode provocar alterações no cérebro, no humor e nos níveis de estresse de ambos. No centro dessa relação está a ocitocina, hormônio associado ao afeto, à confiança e à sensação de bem-estar.

A ocitocina é liberada durante interações sociais positivas, como o cuidado, o toque suave e a convivência próxima. Sua ação está relacionada à redução do cortisol, principal hormônio ligado ao estresse, além da ativação de mecanismos fisiológicos de relaxamento.

O que a ciência já sabe sobre o vínculo com gatos

Por muitos anos, a maior parte das pesquisas sobre ocitocina e vínculo afetivo concentrou-se na relação entre cães e tutores. Estudos demonstraram que poucos minutos de brincadeira eram suficientes para elevar os níveis hormonais em humanos e animais.

Com os gatos, esse processo passou a ser investigado mais recentemente. Um estudo japonês publicado em 2021 na revista científica Animals identificou aumento significativo de ocitocina em mulheres após alguns minutos acariciando seus gatos, em comparação com períodos de repouso sem o animal.

Resultados semelhantes já haviam sido observados em pesquisas anteriores. Em 2002, um estudo divulgado pela revista Psychosomatic Medicine apontou que o contato suave com gatos contribui para a redução do cortisol, além de ajudar na modulação da pressão arterial e da percepção de dor.

Carinho, ronronar e limites do contato

Pesquisas mais recentes aprofundaram a compreensão desse vínculo. Um estudo publicado em 2025 na revista Applied Animal Behaviour Science mostrou que ações como acariciar, abraçar ou permitir que o gato se acomode no colo aumentam os níveis de ocitocina tanto em humanos quanto nos próprios felinos — desde que o contato não seja imposto.

O estilo de apego do animal é determinante. Gatos com apego considerado seguro tendem a buscar proximidade, iniciar interações e apresentar maior resposta hormonal positiva. Já felinos com comportamento ansioso podem ter níveis elevados de ocitocina antes mesmo do toque, tornando-se mais sensíveis a estímulos excessivos.

Quando o contato é forçado, especialmente em gatos mais ansiosos, os níveis de ocitocina podem cair, indicando desconforto. A liberação do hormônio do afeto, segundo os pesquisadores, ocorre principalmente quando a interação respeita o ritmo e os sinais do animal.

Comunicação felina vai além do toque

Diferentemente dos cães, os gatos não dependem de contato visual prolongado para criar vínculos. Eles se comunicam por sinais mais sutis, como a piscadela lenta — comportamento associado à confiança — e o ronronar, que também desempenha papel importante na interação afetiva.

O ronronar, além de indicar conforto, pode influenciar a frequência cardíaca e o estado emocional humano. Ao longo do tempo, essas pequenas interações funcionam como um amortecedor contra o estresse e a ansiedade, atuando como uma forma cotidiana de apoio emocional.

Por que gatos e cães reagem de forma diferente

Estudos comparativos indicam que as respostas hormonais entre cães e humanos tendem a ser mais intensas. Em um experimento realizado pela BBC em 2016, cães apresentaram aumento médio de 57% nos níveis de ocitocina após 10 minutos de brincadeira, enquanto gatos registraram cerca de 12%.

A diferença é explicada pela evolução das espécies. Cães foram domesticados em grupos sociais, com forte dependência do contato visual e da aprovação humana. Já os gatos descendem de predadores mais solitários, que reservam comportamentos afetivos para situações específicas.

Nesse contexto, a confiança dos felinos não é imediata. Ela é construída ao longo do tempo, sustentada por interações consistentes, respeitosas e discretas — características que definem a singularidade da relação entre gatos e humanos.


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