Furar a fila do Ferry Boat gera brigas e revolta entre motoristas

Comunicador Jean, da Rádio Cidade Foz Itajaí 91.7 FM, ouviu usuários e o diretor de Trânsito de Navegantes sobre o problema

Leticia Matos

Publicado em: 22 de janeiro de 2026

7 min.
Furar a fila do Ferry Boat gera brigas e revolta entre motoristas. - Foto: Reprodução

Furar a fila do Ferry Boat gera brigas e revolta entre motoristas. - Foto: Reprodução

A prática de furar a fila do Ferry Boat continua sendo uma das principais causas de conflitos entre motoristas na região de Navegantes. Para entender como a população e as autoridades avaliam a situação, o comunicador Jean, da Rádio Cidade Foz Itajaí 91.7 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, foi às ruas e conversou com pessoas que aguardavam a travessia, além de ouvir o posicionamento oficial do poder público.

Os relatos apontam um cenário recorrente de estresse, buzinaço, discussões e até agressões físicas, especialmente nos horários de maior movimento.

Usuários relatam falta de respeito na fila

Entre os entrevistados, a indignação é evidente. Cissa afirmou que furar a fila é uma atitude que demonstra desrespeito coletivo. “Acho uma falta de educação, uma falta de respeito com quem está esperando na fila”, relatou.

Ela contou que já presenciou situações em que motoristas tentaram avançar à frente dos demais. “Já vi carro entrar na frente e a pessoa descer para impedir a passagem. Eu mesma não deixo”, afirmou.

Estresse e buzinaço fazem parte da rotina

Solano, outro usuário ouvido pelo comunicador, destacou que o problema vai além do tempo de espera. “É um estresse tremendo. Começa buzina, confusão. Se todo mundo respeitasse, era só esperar um pouco que a vez chega”, disse.

Na avaliação dele, a solução passa mais pelo comportamento das pessoas do que apenas pela aplicação da lei. “O pessoal não está ligando muito para a lei. O que deveria prevalecer é o bom senso e a educação”, completou.

Trabalhador relata brigas e acidentes

Quem acompanha a rotina da fila diariamente também confirma a gravidade da situação. Francisco, que trabalha em frente à entrada do estacionamento do Ferry Boat, relatou que as tentativas de furar a fila frequentemente geram conflitos.

“Já vi briga, porrada mesmo. Teve caso de quererem bater até em mulher por causa disso”, contou. Segundo ele, alguns motoristas se aproveitam das faixas de acesso ao estacionamento para avançar indevidamente, o que já resultou em acidentes. “Um dia teve uma batida que afundou a porta de um senhorzinho”, relatou.

Autoridade confirma: prática é infração de trânsito

A reportagem também ouviu Cláudio Schuller, diretor do Departamento de Trânsito de Navegantes, que confirmou que furar a fila do Ferry Boat configura infração de trânsito.

De acordo com ele, o enquadramento está no artigo 211 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que proíbe ultrapassar veículos parados em fila em razão de cancela ou de outro obstáculo que impeça a livre circulação. “A fila do Ferry Boat se enquadra nesse entendimento, pois os veículos estão parados aguardando a travessia”, explicou.

Dificuldade está na fiscalização em flagrante

Apesar da previsão legal, Cláudio Schuller destacou que a principal dificuldade é a autuação. “O agente de trânsito precisa flagrar a conduta. A legislação não permite autuar por denúncia, foto ou imagem que não seja de sistema homologado e devidamente sinalizado”, afirmou.

Segundo o diretor, embora existam câmeras de monitoramento em pontos estratégicos, a fiscalização integral da fila exigiria um grande número de agentes. “Seria necessário colocar um agente a cada 30 ou 40 metros. Isso é inviável, porque temos uma cidade inteira para fiscalizar”, explicou.

Educação no trânsito ainda é o maior desafio

O diretor reconhece que o problema é antigo e tende a se repetir, principalmente em períodos de maior fluxo. “Sempre vai existir o motorista mal-intencionado, que quer levar vantagem. Quando identificamos pontos críticos, reforçamos a sinalização e a presença de agentes”, disse.

Ainda assim, Cláudio Schuller reforça que a mudança depende, sobretudo, da postura dos próprios condutores. “Sem educação e respeito no trânsito, esses conflitos vão continuar acontecendo”, concluiu.

Enquanto isso, quem depende do Ferry Boat segue enfrentando filas longas, tensão constante e a expectativa de que o bom senso prevaleça durante a espera pela travessia.


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