MDB rompe com governo Jorginho e anuncia projeto próprio para Santa Catarina

Em entrevista à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, Tiago Zilli afirma que decisão foi unânime e marca retomada da identidade histórica do partido

José Demathé

Publicado em: 27 de janeiro de 2026

6 min.

MDB rompe com governo Jorginho e anuncia projeto próprio para Santa Catarina Foto: Arquivo/Agência AL

O deputado estadual Tiago Zilli (MDB) afirmou, nesta terça-feira (27), que o MDB decidiu de forma unânime deixar os cargos que ocupa no governo de Santa Catarina e iniciar a construção de um projeto próprio para a disputa ao governo do Estado. A declaração foi feita durante entrevista à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, ao jornalista Denis Luciano.

A decisão foi tomada em reunião fechada realizada na noite de segunda-feira (26), que reuniu as principais lideranças do MDB catarinense. Segundo Zilli, o encontro foi marcado por maturidade política e forte cobrança ao governo do governador Jorginho Mello (PL).

Decisão unânime e sem clima de ruptura pessoal

De acordo com o parlamentar, a reunião do MDB foi uma das mais equilibradas das quais participou ao longo da vida política. Ele destacou que não houve discursos agressivos ou ataques pessoais, mas sim uma avaliação coletiva sobre o futuro do partido.

“O MDB entendeu que chegou a hora de resgatar a sua história, suas bandeiras e voltar a conversar com a sociedade catarinense com um projeto claro para o Estado”, afirmou Zilli.

Três deliberações centrais do MDB

Durante o encontro, o presidente estadual do MDB, Carlos Chiodini, colocou em votação três pontos que foram aprovados por unanimidade:

  • Elaboração de um projeto próprio de governo para Santa Catarina;
  • Abertura de diálogo com outras siglas para construção de uma possível aliança programática;
  • Independência política em relação ao governo estadual, especialmente no âmbito do Legislativo.

Segundo Zilli, essa independência não significa oposição automática. “Tudo o que for bom para Santa Catarina, o MDB vai apoiar. Mas agora com autonomia”, ressaltou.

Defesa de Carlos Chiodini e críticas ao governo federalismo ideológico

O deputado também saiu em defesa de Carlos Chiodini, que vinha sendo criticado por setores políticos por dialogar com o governo federal. Zilli lembrou que, no último mandato como deputado federal, Chiodini destinou mais de R$ 300 milhões em recursos para Santa Catarina, destravando obras e investimentos.

“Santa Catarina arrecadou cerca de R$ 130 bilhões em impostos em 2024 e recebeu menos de 10% disso de volta. Não faz sentido brigar com o governo federal em vez de buscar recursos para o Estado”, afirmou.

Zilli ainda criticou a polarização ideológica. “Não adianta defender Lula ou Bolsonaro simplesmente por conveniência. A sociedade não aceita mais isso”, disse.

Fim da participação no governo e retomada das bases

O MDB solicitou oficialmente que seus filiados deixem os cargos no governo estadual. Segundo o deputado, a decisão não tem caráter de retaliação, mas representa o encerramento de um ciclo político.

“O MDB não entrou no governo por cargos, mas por projeto. Quando o que foi acordado não é cumprido, é preciso ter coerência”, explicou.

Próximos passos do partido

A partir de agora, o MDB deve intensificar reuniões regionais, ouvir filiados e dialogar com a sociedade catarinense. A candidatura própria ao governo do Estado passa a ser tratada como prioridade, com o nome de Carlos Chiodini surgindo como uma das principais referências internas.

Para Zilli, a decisão marca uma nova fase. “Foi uma decisão madura, tomada com satisfação. O MDB volta às suas origens e à sua responsabilidade com Santa Catarina”, concluiu.


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