Cochilo de 45 minutos melhora memória e aprendizado, aponta estudo

Pesquisa indica que descanso curto à tarde ajuda o cérebro a processar novas informações

Redação

Publicado em: 29 de janeiro de 2026

5 min.
Cochilo de 45 minutos melhora memória e aprendizado, aponta estudo. - Imagem gerada por I.A.

Cochilo de 45 minutos melhora memória e aprendizado, aponta estudo. - Imagem gerada por I.A.

Dormir cerca de 45 minutos durante a tarde pode trazer benefícios significativos para o cérebro, indo além do simples alívio do cansaço. É o que aponta um estudo científico recente publicado na revista NeuroImage, que indica que esse breve período de sono é suficiente para restaurar a capacidade de aprendizado e melhorar o processamento de novas informações.

A pesquisa foi conduzida por cientistas do Centro Médico Universitário de Freiburg, na Alemanha, em parceria com os Hospitais Universitários de Genebra e a Universidade de Genebra, na Suíça. Os resultados ajudam a explicar por que um cochilo curto pode tornar tarefas cognitivas mais fáceis e eficientes ao longo do dia.

O que acontece com o cérebro ao longo do dia

Durante o período em que estamos acordados, o cérebro permanece em atividade constante, processando estímulos, pensamentos e informações. Esse processo fortalece as conexões entre os neurônios, chamadas sinapses, fundamentais para a memória e a aprendizagem.

No entanto, quando esse fortalecimento ocorre de forma excessiva, o cérebro pode entrar em um estado conhecido como saturação sináptica. Nesse cenário, a capacidade de absorver novos conteúdos diminui, tornando o aprendizado mais lento e menos eficaz.

Como o cochilo atua nas conexões neurais

De acordo com os pesquisadores, um cochilo de aproximadamente 45 minutos permite que o cérebro faça uma espécie de “reorganização interna”. Esse processo regula a atividade excessiva das sinapses sem apagar informações já armazenadas.

“Nossos resultados sugerem que mesmo curtos períodos de sono melhoram a capacidade do cérebro de codificar novas informações”, afirma Christoph Nissen, autor principal do estudo. Segundo ele, o descanso breve prepara o cérebro para lidar melhor com novos desafios cognitivos.

Descoberta muda entendimento sobre o sono

Até pouco tempo atrás, a ciência acreditava que essa restauração neural só ocorria após várias horas de sono noturno. A nova evidência amplia a compreensão sobre a importância dos cochilos diurnos, especialmente em situações de alta demanda mental, como estudo intenso, trabalho intelectual e tomada de decisões.

Apesar dos benefícios, os especialistas fazem um alerta importante: o cochilo da tarde não substitui uma noite completa de sono. A chamada “dívida de sono”, causada por noites mal dormidas de forma recorrente, está associada a riscos como doenças cardiovasculares, diabetes, ganho de peso, queda da imunidade e prejuízos cognitivos.

Dados internacionais indicam que grande parte da população adulta convive com sono insuficiente por longos períodos, muitas vezes sem perceber plenamente os impactos negativos no desempenho físico e mental.


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