Lipedema afeta mulheres e compromete qualidade de vida, alerta médica

Condição crônica e progressiva ainda é confundida com obesidade e celulite e exige diagnóstico e tratamento multidisciplinar

José Demathé

Publicado em: 29 de janeiro de 2026

7 min.

Lipedema afeta mulheres e compromete qualidade de vida, alerta médica Foto: Imagem Ilustrativa

O lipedema é uma condição crônica, inflamatória e progressiva que atinge principalmente mulheres e impacta diretamente a qualidade de vida. O tema foi abordado pela médica Brenda Mendonça durante entrevista concedida nesta quinta-feira (29), à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, em conversa com a jornalista Manuela Oliveira.

Durante a entrevista, a especialista explicou que o lipedema não tem cura, mas possui tratamento, e que o controle adequado dos sintomas pode devolver bem-estar, autoestima e funcionalidade às pacientes.

Onde o lipedema se manifesta

De acordo com a médica, o lipedema se caracteriza por uma distribuição desproporcional da gordura corporal, geralmente com acúmulo simétrico nos membros inferiores. As pernas são as regiões mais afetadas, mas a doença também pode atingir braços e quadris, dependendo do tipo e da classificação.

Entre as características mais comuns estão:

  • Aumento de volume nas pernas de forma simétrica
  • Acúmulo de gordura ao redor dos joelhos
  • Sensação de peso, inchaço e dor
  • Pele com aspecto semelhante à “casca de laranja”

Esses sinais fazem com que o lipedema seja frequentemente confundido com celulite ou obesidade, o que atrasa o diagnóstico correto.

Diferença entre lipedema, obesidade, celulite e linfedema

Segundo a especialista, um dos principais diferenciais do lipedema é a resistência ao emagrecimento. Mesmo com dieta e exercícios físicos, a gordura característica da doença não responde aos métodos tradicionais.

Na obesidade, o ganho de peso ocorre de forma mais proporcional pelo corpo. Já a celulite tende a melhorar com a redução do percentual de gordura e não causa dor. O linfedema, por sua vez, é uma doença vascular e geralmente afeta apenas um membro, causando assimetria — o que não ocorre no lipedema.

Calor agrava os sintomas

Durante o verão, muitas mulheres relatam piora dos sintomas. A médica explicou que o aumento da temperatura provoca vasodilatação, favorecendo a retenção de líquidos. Como o lipedema já causa inchaço, o calor pode intensificar dores e desconfortos.

Apesar disso, ela reforçou que mulheres em acompanhamento adequado conseguem minimizar esses efeitos, mantendo qualidade de vida mesmo nos períodos mais quentes do ano.

Origem genética e influência hormonal

O lipedema tem forte relação genética e hormonal. Muitas pacientes têm histórico familiar da doença, mas os sintomas costumam surgir em momentos específicos da vida, como:

  • Primeira menstruação
  • Gestação
  • Transição para a menopausa

Essas fases estão associadas a alterações hormonais, especialmente ao aumento do estrogênio, fator diretamente ligado ao desenvolvimento do lipedema.

Impactos emocionais e autoestima

Além das limitações físicas, o lipedema também afeta o emocional. Mulheres relatam frustração por não obterem resultados estéticos, mesmo com rotina disciplinada de exercícios e alimentação equilibrada. Isso pode levar à queda da autoestima, retração social e impactos na vida pessoal e profissional.

A médica destacou a importância de olhar para a paciente de forma integral, considerando não apenas o corpo, mas também o aspecto psicológico e emocional.

Tratamento correto evita erros comuns

Um dos erros mais frequentes, segundo a especialista, é buscar apenas tratamentos estéticos sem acompanhamento clínico. O tratamento ideal deve ser multidisciplinar, envolvendo:

  • Avaliação médica
  • Acompanhamento nutricional
  • Exercícios físicos direcionados
  • Tratamentos estéticos adequados

Meias de compressão e drenagem linfática auxiliam no controle dos sintomas, mas não são suficientes de forma isolada.

Cirurgia é opção, mas não é definitiva

Existe a possibilidade de cirurgia para retirada do tecido gorduroso doente, mas ela não representa cura. O procedimento só é indicado após o controle da inflamação e deve ser acompanhado da manutenção de hábitos saudáveis. Caso contrário, os sintomas podem retornar.

Orientação às mulheres

A principal mensagem deixada pela médica é de conscientização. Identificar os sintomas, buscar profissionais qualificados e iniciar o tratamento correto pode transformar a rotina das pacientes.

“É possível ter lipedema e viver bem”, reforçou a especialista, destacando que informação e acompanhamento são fundamentais para o controle da doença.


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