Eleição de 2026 lidera preocupações do empresariado no Brasil, aponta Amcham

Pesquisa revela que, apesar das incertezas políticas, maioria das empresas pretende manter ou ampliar investimentos no país

Redação

Publicado em: 31 de janeiro de 2026

5 min.
Eleição de 2026 lidera preocupações do empresariado no Brasil, aponta Amcham. - Imagem gerada por I.A.

Eleição de 2026 lidera preocupações do empresariado no Brasil, aponta Amcham. - Imagem gerada por I.A.

A proximidade da eleição presidencial de 2026 é hoje a principal fonte de preocupação para empresários que atuam no Brasil e no comércio exterior. É o que revela uma pesquisa da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham), que ouviu 732 líderes empresariais de companhias de médio e grande porte entre os dias 17 de dezembro de 2025 e 13 de janeiro de 2026.

De acordo com o estudo, 73% dos entrevistados apontaram o ano eleitoral como fator de maior apreensão. Em seguida, aparecem a possibilidade de desaceleração da economia brasileira (51%), a taxa de juros (47%), a segurança jurídica (39%), a falta de mão de obra (38%) e, apenas depois, o ambiente internacional, citado por 31% dos participantes. Cada entrevistado podia escolher mais de uma alternativa.

Expectativas para receitas e investimentos

Apesar do cenário de incertezas políticas, o levantamento mostra um empresariado majoritariamente confiante em relação ao desempenho financeiro. Ao todo, 86% dos entrevistados afirmaram esperar aumento de receitas em 2026, sendo que 26% projetam crescimento superior a 26%.

Quando questionados sobre investimentos, 45% disseram que pretendem manter os aportes no Brasil ao longo de 2026, enquanto 43% planejam ampliar os valores investidos. Apenas 6% indicaram expectativa de redução.

Para o período posterior às eleições, 35% acreditam que a economia brasileira deve melhorar a partir de 2027. Outros 26% avaliam que o cenário deve permanecer estável, enquanto 25% projetam uma piora.

Percepção sobre o ambiente político

Em relação ao processo eleitoral, as opiniões se dividem. A pesquisa mostra que 39% dos empresários têm uma visão neutra sobre a eleição deste ano. Já 31% se declaram pessimistas e 9% muito pessimistas. Do lado oposto, 16% dizem estar otimistas e 2% muito otimistas.

O estudo também investigou quais devem ser as prioridades do próximo governo federal. As respostas mais citadas foram:

  • Controle de gastos públicos (83%)
  • Combate à corrupção (43%)
  • Segurança pública (40%)
  • Redução da taxa de juros (37%)

Relação com os Estados Unidos e agenda externa

No campo da política externa, a relação com os Estados Unidos aparece como prioridade para 53% dos empresários ouvidos, muitos deles diretamente ligados ao comércio bilateral. A atração de investimentos estrangeiros (46%), a celebração de novos acordos comerciais (44%) e o acesso a mercados com redução de barreiras (35%) também figuram entre os principais pontos da agenda externa.

Sobre o atual estágio da relação entre Brasil e Estados Unidos, 38% classificam como neutra, 32% como desafiadora, 14% como favorável e 11% como muito desafiadora. Para 70% dos entrevistados, as tarifas são o principal entrave à ampliação dos negócios com os norte-americanos, enquanto 33% apontam a taxa de câmbio como obstáculo relevante.

Segundo o presidente da Amcham Brasil, Abrão Neto, o empresariado segue disposto a investir, mas depende de condições claras. “O desempenho de 2026 estará diretamente ligado à capacidade de execução das empresas, aos ganhos de produtividade e ao uso de tecnologia, além da importância de previsibilidade, equilíbrio fiscal e integração internacional”, afirmou.


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