Brasileiro consome 1,4 mil xícaras de café por ano, aponta ABIC

Mesmo com leve queda no consumo, faturamento do setor superou R$ 46 bilhões em 2025

Redação

Publicado em: 1 de fevereiro de 2026

5 min.
Brasileiro consome 1,4 mil xícaras de café por ano, aponta ABIC. - Imagem gerada por I.A.

Brasileiro consome 1,4 mil xícaras de café por ano, aponta ABIC. - Imagem gerada por I.A.

O brasileiro manteve o café como um dos principais itens do dia a dia, mas consumiu menos no último ano. Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) mostram que cada habitante consumiu, em média, 1.400 xícaras de café entre novembro de 2024 e outubro de 2025, período adotado para a medição anual do setor.

Apesar do número expressivo, o consumo apresentou recuo de 2,31% em relação ao período anterior. No total, o mercado interno brasileiro absorveu 21,409 milhões de sacas de 60 quilos, o equivalente a 37,9% da safra nacional de 2025, estimada pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 56,54 milhões de sacas.

Brasil segue como um dos maiores consumidores do mundo

Em volume total, o Brasil ficou atrás apenas dos Estados Unidos no ranking mundial de consumo interno, com os norte-americanos registrando cerca de 5 milhões de sacas a mais. No entanto, quando o critério é o consumo per capita, o brasileiro lidera: foram 6,02 quilos de café cru por habitante, contra 4,9 quilos por pessoa nos Estados Unidos.

No caso do café torrado e moído, o consumo médio no Brasil foi de 4,82 quilos por habitante, uma queda de 3,88% em relação ao intervalo de novembro de 2023 a outubro de 2024. Segundo a ABIC, parte dessa redução está relacionada à atualização da base populacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que ampliou o número de habitantes considerados no cálculo.

Preço do café sobe acima da inflação da cesta básica

Além do consumo, a ABIC também apresentou o balanço de preços do café torrado e moído. Em 2025, o produto teve alta média de 5,8%, movimento oposto ao da cesta básica, que registrou queda de 4,8% no mesmo período.

Os reajustes variaram conforme a categoria:

  • Cafés Especiais certificados: alta de 4,3%;
  • Cafés Gourmets: aumento de 20,1%;
  • Cafés Superiores: queda de 3,5%;
  • Cafés Tradicionais e Extrafortes: alta de 5,8%;
  • Cafés em cápsulas: queda de 16,8%.

De acordo com a entidade, as oscilações de preços em 2024 e 2025 foram influenciadas por fatores climáticos, produção limitada e baixos estoques, que tornaram o mercado instável no varejo. Para 2026, a expectativa é de um cenário mais equilibrado, com uma safra favorável e menor volatilidade nos valores ao consumidor.

Matéria-prima registra fortes oscilações

Os dados sobre a matéria-prima também chamam atenção. Nos últimos cinco anos, a saca do café arábica acumulou alta de 212%, embora tenha registrado queda de 11,8% apenas em 2025. Já o café conilon teve valorização de 201% no mesmo período de cinco anos, mas apresentou recuo mais acentuado no último ano, de 40,2%.

Faturamento cresce mesmo com menor consumo

Mesmo com a retração no volume consumido, o faturamento da indústria de café no mercado interno cresceu 25,6% em relação a 2024. A receita total alcançou R$ 46,24 bilhões, impulsionada principalmente pelos preços mais elevados.

O resultado acompanha o desempenho das exportações brasileiras de café. Segundo dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país exportou menos em volume, mas bateu recorde de faturamento no ano passado. Já o segmento de café solúvel, conforme a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), registrou aumento no consumo interno, apesar da queda nas exportações.


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