Menopausa pode provocar alterações no cérebro e afetar memória e humor

Pesquisa britânica de larga escala aponta impactos neurológicos e emocionais após o fim da fase reprodutiva feminina

Redação

Publicado em: 30 de janeiro de 2026

7 min.
Menopausa pode provocar alterações no cérebro e afetar memória e humor. - Imagem gerada por I.A.

Menopausa pode provocar alterações no cérebro e afetar memória e humor. - Imagem gerada por I.A.

A menopausa, etapa natural da vida da mulher, pode trazer consequências que vão além das mudanças hormonais já conhecidas. Um estudo conduzido pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, indica que esse período pode estar associado a alterações estruturais no cérebro, além de impactos negativos sobre o sono, o humor e o desempenho cognitivo.

A pesquisa analisou informações de quase 125 mil mulheres participantes do UK Biobank, um amplo banco de dados biomédicos britânico, e identificou redução do volume da massa cinzenta em regiões cerebrais ligadas à memória, às emoções e à tomada de decisões.

Alterações neurológicas ganham atenção dos pesquisadores

A massa cinzenta é composta principalmente por células nervosas e desempenha papel fundamental no processamento de informações, no aprendizado e no controle emocional. Segundo os pesquisadores, mudanças nessa estrutura podem ajudar a explicar por que algumas mulheres relatam piora da memória, dificuldade de concentração e maior instabilidade emocional após a menopausa.

O estudo foi publicado na revista científica Psychological Medicine e reforça a necessidade de olhar para a menopausa não apenas como um evento hormonal, mas também como um processo que pode influenciar diretamente a saúde cerebral.

Como os dados foram analisados

As participantes foram divididas em três grupos distintos:

  • mulheres que ainda não haviam entrado na menopausa;
  • mulheres na pós-menopausa que nunca utilizaram terapia de reposição hormonal;
  • mulheres na pós-menopausa que fizeram uso de terapia hormonal.

Além de responderem questionários sobre saúde física, mental e qualidade do sono, elas passaram por testes cognitivos, como avaliações de memória e tempo de reação.

Sono irregular e maior procura por apoio psicológico

Os resultados mostraram que mulheres na pós-menopausa relataram mais frequentemente problemas relacionados ao sono, como insônia, menor tempo de descanso e sensação persistente de fadiga ao longo do dia.

No campo da saúde mental, esse mesmo grupo apresentou maior probabilidade de buscar atendimento médico por sintomas de ansiedade, nervosismo e depressão. Os questionários aplicados também indicaram níveis mais elevados de sintomas depressivos em comparação às mulheres que ainda não haviam passado pela menopausa.

Desempenho cognitivo e tempo de reação

Outro achado relevante foi o impacto sobre funções cognitivas básicas. As mulheres na pós-menopausa, especialmente aquelas que não fizeram uso de reposição hormonal, apresentaram tempos de reação mais lentos, um indicativo de possível declínio cognitivo associado ao envelhecimento.

Para a professora Barbara Sahakian, autora sênior do estudo, manter o cérebro ativo ao longo da vida é essencial. “O envelhecimento naturalmente traz algum declínio cognitivo, mas é importante adotar estratégias que evitem a aceleração desse processo”, avalia.

Regiões cerebrais mais afetadas

As análises por imagem apontaram redução significativa da massa cinzenta em áreas específicas do cérebro, entre elas:

  • Hipocampo, essencial para a formação e consolidação das memórias;
  • Córtex entorrinal, responsável pela comunicação entre o hipocampo e outras regiões cerebrais;
  • Córtex cingulado anterior, envolvido na regulação emocional, no foco e na tomada de decisões.

Essas regiões, segundo os pesquisadores, também costumam ser afetadas em doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer.

Terapia hormonal não mostrou efeito protetor

O estudo também avaliou o papel da terapia de reposição hormonal, frequentemente prescrita para aliviar sintomas da menopausa. De acordo com os dados analisados, a TRH não demonstrou benefício claro na melhora dos quadros de ansiedade, depressão ou nas alterações estruturais observadas no cérebro.

“Em muitos casos, a terapia é prescrita na tentativa de evitar o agravamento dos sintomas emocionais durante a menopausa, mas nossos resultados indicam que esse efeito não foi observado”, destaca Sahakian.

Possível relação com risco futuro de demência

Os pesquisadores levantam a hipótese de que as alterações cerebrais associadas à menopausa possam contribuir para uma maior vulnerabilidade das mulheres ao desenvolvimento de demência ao longo da vida. Embora não seja o único fator envolvido, essa condição pode ajudar a explicar a maior incidência da doença em mulheres em comparação aos homens.

Novas etapas da investigação

Apesar dos achados relevantes, os autores ressaltam que são necessários acompanhamentos de longo prazo para compreender melhor como a menopausa e a terapia hormonal influenciam o envelhecimento cerebral.

A próxima etapa da pesquisa prevê o monitoramento contínuo dessas mulheres para avaliar se as mudanças observadas se refletem em maior risco de comprometimento cognitivo ou demência no futuro.


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