Defasagem da tabela do IR chega a 157% e aumenta imposto para a classe média

Estudo do Sindifisco mostra que falta de correção pela inflação faz trabalhadores pagarem mais, mesmo sem aumento real de renda

Redação

Publicado em: 30 de janeiro de 2026

5 min.

Defasagem da tabela do IR chega a 157% e aumenta imposto para a classe média Foto: Divulgação

A defasagem da tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) chegou a 157,22% em 2025, segundo levantamento do Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal (Sindifisco), com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O dado revela que milhões de brasileiros estão pagando mais imposto ao longo dos anos sem qualquer aumento real de renda ou mudança nas alíquotas, apenas pela falta de atualização da tabela pela inflação.

O estudo aponta que, embora o governo federal tenha sancionado a lei que garante isenção do IR para quem recebe até R$ 5.000 mensais e redução gradual do imposto até R$ 7.350 a partir de novembro de 2025, as medidas não são suficientes para recompor as perdas acumuladas desde 1996, quando os reajustes automáticos da tabela foram suspensos.

Segundo o presidente do Sindifisco Nacional, Dão Real, a política de isenção representa um avanço, mas ainda está longe de corrigir a distorção histórica do imposto. De acordo com ele, se a tabela estivesse totalmente corrigida pela inflação, estariam isentos os contribuintes com renda mensal de até R$ 6.694,37. Atualmente, esse limite é R$ 5.000, uma diferença de R$ 1.694,37.

Classe média é a mais impactada

A falta de correção das demais faixas mantém, segundo o sindicato, uma estrutura regressiva do IRPF. Na prática, trabalhadores de renda mais baixa e, principalmente, a classe média acabam pagando proporcionalmente mais imposto do que deveriam.

Esse efeito ocorre por causa do chamado “efeito arrasto”, quando reajustes salariais apenas para recompor a inflação fazem o contribuinte mudar de faixa e pagar mais imposto, mesmo sem ganho real de poder de compra.

As simulações do Sindifisco evidenciam o peso dessa distorção:

  • Um trabalhador com renda mensal de R$ 6.500 paga hoje cerca de R$ 535 a mais por mês do que pagaria com a tabela corrigida.
  • Quem recebe R$ 10 mil mensais paga R$ 1.186 a mais, um aumento de 371,8% em relação ao valor que seria devido.
  • Para rendas acima de R$ 100 mil por mês, o impacto relativo da defasagem cai para 7,86%.

Alíquota máxima começa mais cedo

Outro ponto destacado no estudo é que, caso a tabela estivesse integralmente corrigida pela inflação acumulada desde 1996, a alíquota máxima de 27,5% só incidiria sobre a parcela da renda acima de R$ 12.374,74 mensais. Atualmente, essa alíquota é aplicada a partir de R$ 7.350, o que amplia a carga tributária sobre salários médios.

Para o Sindifisco, a correção integral da tabela não deveria ser tratada como renúncia fiscal, mas como uma obrigação do Estado para preservar o valor real da renda do trabalho e respeitar os princípios constitucionais da capacidade contributiva e da progressividade tributária.

Propostas para corrigir distorções

Além da atualização da tabela, o sindicato defende mudanças estruturais no sistema do Imposto de Renda, como:

  • Ampliação do número de faixas de tributação;
  • Aumento da alíquota efetiva sobre os estratos mais altos de renda;
  • Tributação adequada de lucros e dividendos.

Segundo a entidade, essas medidas são essenciais para corrigir distorções históricas do sistema tributário brasileiro e reduzir a carga que hoje recai de forma desproporcional sobre trabalhadores assalariados.


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