Polícia Federal barra gravações do “Área Restrita” em terminais aéreos

Corporação alega riscos à segurança aeroportuária e descumprimento de normas; produtora diz que autorizações foram cassadas em janeiro

Redação

Publicado em: 2 de fevereiro de 2026

6 min.

Polícia Federal barra gravações do "Área Restrita" em terminais aéreos - Foto: Divulgação/HBO Max/Moonshot

A Polícia Federal (PF) decidiu suspender as gravações do programa “Aeroporto: Área Restrita” em aeroportos brasileiros. A atração, exibida pela plataforma HBO Max, mostra operações de fiscalização em terminais aéreos do país. A corporação justificou a medida afirmando que as filmagens descumprem normas constitucionais, legais e regulamentares relacionadas à segurança da aviação civil.

A decisão atinge a produção da 8ª temporada do reality, que havia iniciado as gravações em dezembro de 2025. Segundo a PF, a presença de equipes de filmagem em áreas operacionais restritas representa riscos à segurança e fere princípios como a preservação da intimidade, da imagem e da presunção de inocência das pessoas abordadas.

Produtora afirma ter tido autorizações cassadas

A produtora Moonshot, responsável pela série, afirma que havia recebido autorização prévia da Polícia Federal para realizar as gravações. No entanto, segundo a empresa, as credenciais foram cassadas em janeiro de 2026.

De acordo com a Moonshot, a produção contava com o apoio e a participação de diversos órgãos públicos, entre eles:

  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa);
  • Vigiagro;
  • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama);
  • Receita Federal;
  • Polícia Militar de São Paulo;
  • Polícia Militar do Rio de Janeiro;
  • Concessionárias Fraport e RIOgaleão.

A produtora informou ainda que a PF havia autorizado as gravações nos aeroportos de Viracopos (VCP), Galeão (GIG) e Pinto Martins (FOR). No entanto, a corporação teria indeferido o credenciamento da equipe para áreas restritas em Guarulhos e cancelado as autorizações já concedidas nos demais terminais.

Polícia Federal nega participação recente no programa

Em posicionamento oficial, a Polícia Federal negou ter participação recente no programa e afirmou que mantém, há anos, um entendimento institucional contrário a esse tipo de solicitação. Segundo a corporação, áreas operacionais restritas são consideradas zonas de risco, com acesso limitado exclusivamente a profissionais com necessidade funcional ou operacional.

A PF também citou o Programa Nacional de Segurança da Aviação Civil (PNAVSEC) e normas da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), que vedam expressamente o registro de imagens de procedimentos e estruturas sensíveis relacionadas à segurança aeroportuária.

Para o órgão, atividades de entretenimento ou produção audiovisual não se enquadram nos critérios exigidos para acesso a essas áreas.

Histórico de gravações é contestado pela produtora

A Moonshot rebateu os argumentos da Polícia Federal e afirmou que a decisão contradiz o histórico do próprio órgão. Segundo a produtora, ao longo de sete temporadas consecutivas, desde 2016, todas as credenciais de profissionais envolvidos foram analisadas e aprovadas pela PF, sem registro de incidentes ou comprometimento da segurança nos aeroportos brasileiros.

Suposto conflito institucional entra no debate

A polêmica ganhou um novo capítulo após declarações do presidente da Associação dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kleber Cabral. Em entrevista ao UOL, ele sugeriu a existência de um possível “ciúme institucional”, alegando que o programa daria mais visibilidade às ações da Receita Federal, especialmente na fiscalização de bagagens, do que às operações da Polícia Federal.

Cabral também mencionou a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 para combater sonegação e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis, como um possível fator de tensão entre os órgãos.

A Polícia Federal, no entanto, negou qualquer disputa institucional. Em nota, a corporação afirmou que respeita plenamente as atribuições da Receita Federal, mas reforçou que sua responsabilidade constitucional pela segurança aeroportuária deve prevalecer em áreas restritas.

Segundo a PF, tentativas de reduzir o episódio a conflitos entre instituições desconsideram a gravidade do tema e a importância da segurança da aviação civil, que, segundo o órgão, deve ser prioridade absoluta.


FIQUE BEM INFORMADO:

📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe



× SCTODODIA Rádios