Um episódio de racismo praticado contra um policial militar negro, durante uma ocorrência de violência doméstica em Criciúma, foi relatado publicamente pelo tenente-coronel Mário Luiz Silva, comandante do 9º Batalhão da Polícia Militar (9º BPM). O caso veio à tona durante entrevista concedida nesta terça-feira (03) à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, ao jornalista Denis Luciano.
O comandante destacou que o crime ocorreu há cerca de quatro meses, quando dois policiais militares foram acionados para atender uma denúncia de agressão contra uma mulher. No momento da prisão do agressor, ele se dirigiu a um dos policiais com uma ofensa de cunho racial, questionando como um “negro” teria conseguido ingressar na Polícia Militar. Diante da repetição da frase, o homem foi preso em flagrante pelo crime de racismo, previsto na Lei nº 7.716/1989.
Segundo o tenente-coronel Mário Luiz Silva, o episódio gerou forte comoção interna na corporação, mas não recebeu a atenção esperada de entidades e órgãos que atuam no combate ao preconceito racial. O comandante afirmou que, apesar de ter divulgado o caso em diferentes meios de comunicação e redes sociais, nenhuma organização de defesa dos direitos humanos procurou o batalhão ou o policial vítima para manifestar apoio ou repúdio formal ao crime.
Para o comandante do 9º BPM, a omissão causa indignação e levanta questionamentos sobre a seletividade das manifestações públicas contra o racismo. Ele ressaltou que a Polícia Militar é uma instituição aberta a todos os cidadãos e que o preconceito racial representa uma das condutas mais graves e incompatíveis com a convivência em sociedade. “Não basta o endurecimento da lei se não houver uma mudança real de postura da sociedade”, pontuou.
Durante a entrevista, o oficial também reforçou que o combate ao racismo vai além da esfera penal e exige envolvimento coletivo, conscientização e posicionamento público diante de casos concretos. Para ele, manifestações sociais são legítimas e necessárias, sobretudo quando o objetivo é reafirmar valores humanitários e de respeito à dignidade das pessoas.
Além do tema do racismo, o tenente-coronel também comentou aspectos legais de um caso recente de maus-tratos a animal que gerou grande repercussão na cidade, esclarecendo os limites da legislação penal quando os investigados são adolescentes. Segundo ele, a legislação brasileira prevê apenas a aplicação de medidas socioeducativas, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), e não penas privativas de liberdade nos moldes do sistema penal comum.
A entrevista reacendeu o debate sobre igualdade racial, aplicação da lei e coerência no enfrentamento ao preconceito, especialmente quando envolve agentes públicos que atuam diretamente na proteção da sociedade.
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