Observatório Social aponta gastos elevados da Câmara de Criciúma em 2025

Entidade questiona aumento de despesas com publicidade, viagens e compra de bens enquanto Legislativo recebeu quase R$ 40 milhões em repasses

José Demathé

Publicado em: 4 de fevereiro de 2026

5 min.

Observatório Social aponta gastos elevados da Câmara de Criciúma em 2025 Foto: Divulgação

O Observatório Social de Criciúma avalia que os gastos da Câmara de Vereadores ultrapassaram o que seria considerado normal em 2025. A análise foi apresentada pelo presidente da entidade, Moacir Dagostin, durante entrevista concedida nesta quarta-feira (4) à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, ao jornalista Denis Luciano. Segundo ele, o relatório com os dados foi divulgado à sociedade para estimular o debate público sobre a aplicação dos recursos.

De acordo com o levantamento, a Câmara recebeu em 2025 cerca de R$ 39,8 milhões em repasses da Prefeitura de Criciúma e utilizou aproximadamente R$ 25 milhões. O valor gasto representa cerca de R$ 4 milhões a mais do que no ano anterior. Além disso, a devolução de recursos ao Executivo municipal foi menor: cerca de R$ 1,5 milhão a menos em comparação a 2024.

Aumento expressivo em algumas despesas

Entre os pontos que mais chamaram a atenção do Observatório estão os gastos com comunicação, publicidade e propaganda. Em 2024, a despesa foi de R$ 209 mil. Já em 2025, o valor saltou para R$ 951 mil, um aumento de 354%.

Outro item destacado foi o custo com viagens. Enquanto em 2024 foram gastos cerca de R$ 44 mil, em 2025 o valor chegou a R$ 229 mil. Para o Observatório, parte dessas viagens, especialmente a Brasília, poderia ser evitada, já que deputados federais e estaduais mantêm agendas frequentes em Santa Catarina e na região Sul.

Renovação de gabinetes também é alvo de críticas

O relatório também aponta gastos considerados excessivos na renovação dos gabinetes dos vereadores. Foram adquiridos novos móveis, cadeiras, frigobares, televisores, micro-ondas e smartphones. Segundo Moacir Dagostin, esses investimentos poderiam ter sido adiados, já que a Câmara está em processo de construção de uma nova sede, onde todo o mobiliário deverá ser substituído.

Debate sobre mais vereadores e impacto financeiro

Durante a entrevista, o presidente do Observatório também criticou a discussão sobre o possível aumento do número de vereadores em Criciúma, de 17 para 21 cadeiras. Para a entidade, o município já está adequadamente representado e qualquer ampliação tende a elevar ainda mais os custos do Legislativo.

O Observatório ressalta que não adota medidas judiciais automaticamente. A atuação da entidade é reunir dados públicos disponíveis no Portal da Transparência e apresentá-los à sociedade. Apenas em casos de irregularidades graves é que o Ministério Público é acionado.

Segundo Dagostin, o objetivo é estimular o controle social e provocar reflexão sobre a necessidade de contenção de despesas, especialmente em um cenário de elevados custos públicos. Ele também defende a revisão do percentual obrigatório de repasse do Executivo para o Legislativo, o chamado duodécimo, considerado alto para a realidade financeira do município.


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