Estudo sobre energéticos gera repercussão na internet, mas não prova causa

Pesquisa científica associou consumo de energéticos a suicídio, mas sem causalidade; divulgação alarmista gerou confusão nas redes sociais

Redação

Publicado em: 5 de fevereiro de 2026

4 min.
Estudo sobre energéticos gera repercussão na internet, mas não prova causa. - Foto: Canva

Estudo sobre energéticos gera repercussão na internet, mas não prova causa. - Foto: Canva

Um estudo científico que analisou dados internacionais sobre consumo de cafeína e saúde mental ganhou grande repercussão na internet nos últimos dias, após interpretações equivocadas circularem nas redes sociais. Publicações passaram a afirmar que bebidas energéticas aumentariam significativamente o risco de suicídio, o que não é comprovado pela pesquisa original.

O que aconteceu

A repercussão começou após a divulgação de uma meta-análise conduzida por pesquisadores de Singapura, que reuniu dados de 17 estudos anteriores. O conteúdo acadêmico, no entanto, foi transformado em manchetes alarmistas e compartilhado fora de contexto, gerando desinformação entre os usuários.

O que passou a circular nas redes

As postagens afirmavam que:

  • o consumo de café reduziria o risco de suicídio;
  • uma lata mensal de energético quase dobraria esse risco;
  • o consumo diário poderia elevar o risco em até 288%.

Essas afirmações foram apresentadas como conclusões definitivas, o que não corresponde ao que está descrito no estudo.

O que o estudo realmente diz

A pesquisa não estabelece relação de causa e efeito entre o consumo de bebidas energéticas e o suicídio. O que os autores identificaram foi apenas uma associação estatística, sem comprovação de que uma variável provoque a outra.

No próprio artigo científico, os pesquisadores destacam que fatores como saúde mental pré-existente, contexto social, ambiente familiar, genética e uso de outras substâncias não foram totalmente controlados, o que impede conclusões diretas.

Limitações reconhecidas pelos autores

Entre os principais pontos destacados no estudo estão:

  • correlação não significa causalidade;
  • presença de fatores de confusão não eliminados;
  • necessidade de novas pesquisas para avaliar aspectos psicossociais;
  • risco de interpretações incorretas quando os dados são divulgados sem contexto.

Ainda assim, essas ressalvas foram ignoradas em parte da divulgação online, que tratou a associação como prova científica.

Atenção ao consumo de informação

Especialistas reforçam que estudos observacionais servem para levantar hipóteses, não para estabelecer verdades absolutas. Em temas sensíveis, como saúde mental, a divulgação responsável é essencial para evitar alarmismo e confusão.

A recomendação é que os dados sejam lidos como associações preliminares, até que novas evidências confirmem ou descartem qualquer vínculo causal.


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