Um estudo científico que analisou dados internacionais sobre consumo de cafeína e saúde mental ganhou grande repercussão na internet nos últimos dias, após interpretações equivocadas circularem nas redes sociais. Publicações passaram a afirmar que bebidas energéticas aumentariam significativamente o risco de suicídio, o que não é comprovado pela pesquisa original.
O que aconteceu
A repercussão começou após a divulgação de uma meta-análise conduzida por pesquisadores de Singapura, que reuniu dados de 17 estudos anteriores. O conteúdo acadêmico, no entanto, foi transformado em manchetes alarmistas e compartilhado fora de contexto, gerando desinformação entre os usuários.
O que passou a circular nas redes
As postagens afirmavam que:
- o consumo de café reduziria o risco de suicídio;
- uma lata mensal de energético quase dobraria esse risco;
- o consumo diário poderia elevar o risco em até 288%.
Essas afirmações foram apresentadas como conclusões definitivas, o que não corresponde ao que está descrito no estudo.
O que o estudo realmente diz
A pesquisa não estabelece relação de causa e efeito entre o consumo de bebidas energéticas e o suicídio. O que os autores identificaram foi apenas uma associação estatística, sem comprovação de que uma variável provoque a outra.
No próprio artigo científico, os pesquisadores destacam que fatores como saúde mental pré-existente, contexto social, ambiente familiar, genética e uso de outras substâncias não foram totalmente controlados, o que impede conclusões diretas.
Limitações reconhecidas pelos autores
Entre os principais pontos destacados no estudo estão:
- correlação não significa causalidade;
- presença de fatores de confusão não eliminados;
- necessidade de novas pesquisas para avaliar aspectos psicossociais;
- risco de interpretações incorretas quando os dados são divulgados sem contexto.
Ainda assim, essas ressalvas foram ignoradas em parte da divulgação online, que tratou a associação como prova científica.
Atenção ao consumo de informação
Especialistas reforçam que estudos observacionais servem para levantar hipóteses, não para estabelecer verdades absolutas. Em temas sensíveis, como saúde mental, a divulgação responsável é essencial para evitar alarmismo e confusão.
A recomendação é que os dados sejam lidos como associações preliminares, até que novas evidências confirmem ou descartem qualquer vínculo causal.
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