Tudo leva a crer que não é um mero acaso a aparente briga por uma suposta falta de comunicação atual no PL. Não faria nem sentido Jorginho Mello ser atropelado pelos fatos quando ele busca se antecipar aos mesmos.
Quando, nesta terça-feira, Jorginho afirmou em prestigiado encontro em Brasília que “Caroline de Toni será nossa futura senadora”, ele já estava ciente da proposta recebida pela deputada, que teve como emissário o presidente nacional do PL.
Valdemar Costa Neto sugeriu que Carol abra mão da disputa ao Senado pois é preciso encontrar espaço para Esperidião Amin (PP) na chapa. E que, em contrapartida, a deputada aceite ou ser vice-governadora na chapa de Jorginho, ou buscar a reeleição à Câmara e ter a garantia da liderança da bancada em 2027.
Carol bancou. Garantiu que vai concorrer ao Senado e anunciou que se desfilia do PL nas próximas horas. Que tomará o rumo do Novo, ou então um partido entre PSD, MDB, PRD, Podemos ou Avante, que também a convidaram.
Claro que, para Jorginho, seria interessante ter Carol no Novo. Fecharia com o projeto atual que já conta com Adriano Silva como pré-candidato a vice, mas não faz o tipo do governador lançar peças do quilate de Carol ao mercado
Logo, está evidente que Jorginho antevê a possibilidade de se beneficiar do aparente tumulto. É que, nesse cenário, e com Flávio Bolsonaro consolidando-se à presidência, abre-se o caminho do Rio de Janeiro, e é impensável uma eleição por lá sem um Bolsonaro na urna. Aqui entra o governador catarinense aproveitando a fumaça densa desse entrevero sugerindo, no momento certo, que Valdemar opere o retorno de Carlos Bolsonaro ao Rio, assim resolvendo a encrenca catarinense e permitindo, ao fim das contas, aquilo que o governador sempre quis: Carol e Amin seus senadores.
No fim da tarde, veio a informação de uma conversa direta entre Valdemar e Jorginho em Brasília, onde o governador teria ouvido do presidente que ele tem autonomia total para deliberar sobre Santa Catarina. Vamos ver até onde.
A lembrar que, no meio deste caminho, tem Jorge Seif (PL), cujo julgamento no próximo dia 11 no TSE poderá determinar cassação e nova eleição em 45 dias. Aqui entra Júlia Zanatta, ladeando Jorginho com Carol na foto acima. Ela quer e muito essa vaga, nem que seja por quatro anos. Mas isso é conversa para outra hora no sempre tumultuado PL catarinense.