Entenda o processo de perda de patente de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Militar

Capitão reformado do Exército, Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão

Eduardo Fogaça

Publicado em: 5 de fevereiro de 2026

7 min.
Entenda o processo de perda de patente de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Militar. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Entenda o processo de perda de patente de Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Militar. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

O Superior Tribunal Militar (STM) iniciou a análise do pedido do Ministério Público Militar (MPM) para avaliar a possível perda da patente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Capitão reformado do Exército, Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos de prisão por participação em um plano de golpe de Estado, decisão que abriu caminho para o procedimento na Justiça Militar.

A seguir, entenda como funciona o processo de cassação de patente, quais são as etapas e quais podem ser as consequências para Bolsonaro e outros militares condenados.

O que é a perda de patente

A perda de patente é um procedimento previsto na legislação militar chamado de “representação por indignidade ou incompatibilidade para o oficialato”. Ele serve para avaliar se um oficial condenado criminalmente pode continuar pertencendo aos quadros das Forças Armadas.

Esse processo não ocorre automaticamente. Apesar de a lei prever a perda da patente em condenações superiores a dois anos de prisão, a decisão depende de julgamento específico do STM.

Quando o processo pode ser aberto

A representação só pode ser instaurada após a condenação criminal se tornar definitiva, ou seja, quando não há mais possibilidade de recursos. No caso de Bolsonaro, a Primeira Turma do STF determinou que o STM fosse comunicado após a condenação, o que ocorreu nesta semana.

Com isso, a Corte Militar passou a analisar formalmente a situação do ex-presidente.

Como funciona a tramitação no STM

Após o recebimento da representação:

  • O STM define relatores e revisores para cada caso;
  • Os militares são notificados oficialmente;
  • Abre-se prazo para apresentação de defesa;
  • Os ministros avaliam se a conduta é compatível ou não com o oficialato.

Segundo a presidente do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha, trata-se de um processo que envolve análise jurídica e também um juízo de valor por parte dos ministros da Corte.

A tramitação costuma ser rápida, com duração média de cerca de seis meses.

Quem mais pode perder a patente

Além de Jair Bolsonaro, outros quatro oficiais de alta patente também passaram a responder ao mesmo tipo de procedimento após condenação por tentativa de golpe de Estado:

  • Augusto Heleno, general, condenado a 21 anos de prisão;
  • Paulo Sérgio Nogueira, general, condenado a 19 anos;
  • Walter Braga Netto, general, condenado a 26 anos;
  • Almir Garnier, almirante e ex-comandante da Marinha, condenado a 24 anos.

Todos receberam penas superiores a dois anos, requisito previsto no Código Penal Militar para a perda de patente.

Impactos no cumprimento da pena

O Estatuto dos Militares prevê que apenas quem mantém a condição de militar pode cumprir pena em unidades militares. Caso a patente seja cassada, o condenado deixa oficialmente as Forças Armadas e deve ser transferido para o sistema prisional comum.

Bolsonaro está atualmente detido na chamada “Papudinha”, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, por decisão do ministro Alexandre de Moraes. Especialistas afirmam que, com a perda da patente, não haveria fundamento legal para sua permanência em unidade com características de prisão especial, embora sua condição de ex-presidente possa ser considerada por questões de segurança.

E a pensão militar?

Com a cassação da patente, o militar perde o direito à remuneração. Bolsonaro, como capitão reformado, recebe atualmente R$ 12.861,61 por mês.

A possibilidade de pagamento de pensão a familiares, conhecida como “morte ficta”, é tema de controvérsia jurídica. Em 2025, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu que a pensão militar só é devida em caso de morte real, não se aplicando a militares expulsos. No entanto, o STM não é obrigado a seguir esse entendimento, e a questão ainda deve gerar disputas judiciais.

Por que o caso é considerado histórico

Esta é a primeira vez que o STM analisa pedidos de perda de patente relacionados a crimes contra a democracia. O julgamento pode estabelecer um precedente relevante sobre a responsabilização de militares de alta patente envolvidos em atentados à ordem constitucional.


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