Caso humano de esporotricose é confirmado em Cocal do Sul e acende alerta

Secretaria de Saúde reforça orientações sobre prevenção da doença transmitida por fungos e comum em gatos

José Demathé

Publicado em: 5 de fevereiro de 2026

6 min.

Caso humano de esporotricose é confirmado em Cocal do Sul e acende alerta Foto: Imagem ilustrativa

Um caso humano de esporotricose foi confirmado em Cocal do Sul e reacendeu o alerta das autoridades de saúde sobre os riscos da doença, que já vinha sendo monitorada no município em animais. A informação foi detalhada pela secretária de Saúde, Giovana Galato, durante entrevista concedida nesta quinta-feira (05) à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, ao jornalista Dennis Luciano.

Segundo a secretária, o município acompanha há cerca de três meses registros de esporotricose em animais, especialmente gatos, no bairro Boa Vista. Ao todo, foram 17 casos suspeitos, com 11 confirmações, todos em tratamento. O caso humano ocorreu após o contato direto de um tutor com um animal infectado, por meio de mordedura, o que resultou em lesão no braço do paciente.

O que é a esporotricose

A esporotricose é uma doença causada por fungos presentes no solo, principalmente em locais com matéria orgânica em decomposição. Por esse motivo, é conhecida popularmente como “doença do jardineiro”, já que pode ser adquirida durante o manuseio da terra sem proteção adequada.

Em animais, principalmente gatos, a contaminação ocorre com facilidade devido ao hábito de cavar o solo e arranhar troncos e galhos. As lesões costumam surgir no focinho, rosto, orelhas e patas, apresentando-se como feridas ulceradas que não cicatrizam.

Como ocorre a transmissão para humanos

De acordo com Giovana Galato, a transmissão para humanos pode ocorrer de duas formas principais:

  • Contato com solo contaminado, especialmente em atividades de jardinagem sem o uso de luvas e roupas de proteção;
  • Arranhões ou mordeduras de animais infectados, principalmente gatos.

A secretária destacou que não há transmissão de humano para humano, informação considerada essencial para evitar pânico e desinformação.

Sintomas e tratamento

Nos humanos, a doença geralmente começa com uma pequena lesão na pele, semelhante a uma picada de inseto, que evolui para uma úlcera. O tratamento é feito com antifúngicos e pode se estender por vários meses, assim como ocorre nos animais.

No caso confirmado em Cocal do Sul, o paciente procurou atendimento médico logo após o surgimento da lesão. A médica da unidade de saúde iniciou o tratamento com base no histórico clínico e a confirmação veio após biópsia. O acompanhamento segue com infectologista.

Prevenção é a principal arma

A Secretaria de Saúde reforça algumas orientações simples, mas fundamentais, para prevenir novos casos:

  • Usar luvas e roupas de mangas longas ao lidar com terra e jardinagem;
  • Evitar contato direto com feridas de animais;
  • Manter gatos dentro de casa, evitando que tenham acesso livre à rua;
  • Investir na castração de cães e gatos, reduzindo a circulação e o contato entre animais;
  • Procurar atendimento veterinário ao identificar lesões suspeitas nos animais.

Situação controlada, mas atenção regional

Apesar da confirmação do caso humano, a secretária avalia que a situação está sob controle no município, sem novos registros suspeitos nas últimas semanas. No entanto, ela defende que o combate à esporotricose precisa ser regionalizado, já que cidades vizinhas compartilham os mesmos riscos.

Giovana Galato informou que o tema será levado à próxima reunião de secretários municipais de Saúde, com o objetivo de fortalecer ações conjuntas de prevenção de zoonoses e ampliar políticas públicas voltadas à causa animal, como programas de castração.


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