Excesso de papéis femininos acende alerta para a saúde mental das mulheres

Psicóloga explica, em entrevista à Rádio Cidade em Dia, como a sobrecarga cotidiana afeta o emocional feminino

José Demathé

Publicado em: 6 de fevereiro de 2026

6 min.

Excesso de papéis femininos acende alerta para a saúde mental das mulheres Foto: Imagem ilustrativa

O acúmulo de responsabilidades impostas social e culturalmente às mulheres tem provocado impactos diretos e silenciosos na saúde mental. O alerta foi feito pela psicóloga Fabiana Pereira, durante entrevista concedida nesta sexta-feira (06/02/2026) ao programa apresentado pela jornalista Manuela Oliveira, na Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação.

Na conversa, Fabiana destacou que o chamado “cansaço” vivido por muitas mulheres vai muito além do desgaste físico e, em grande parte dos casos, está diretamente relacionado ao adoecimento emocional, que nem sempre é percebido de imediato.

Cansaço que não é só físico

Segundo a psicóloga, muitas mulheres normalizam sinais claros de esgotamento mental, atribuindo tudo à rotina intensa. No entanto, sintomas como lapsos de memória frequentes, dificuldade de concentração, alterações bruscas de humor e pensamentos repetitivos são indicativos de fadiga emocional.

“Quando isso começa a acontecer com frequência, não é algo simples. É a saúde mental pedindo atenção”, explicou Fabiana durante a entrevista.

Múltiplos papéis e cobrança constante

A sobrecarga feminina, conforme abordado na entrevista, envolve uma série de exigências simultâneas: desempenho profissional, cuidado com os filhos, organização da casa, manutenção da aparência, produtividade constante e expectativa de sucesso em todas as áreas da vida.

Para a psicóloga, esse modelo imposto às mulheres cria um ambiente propício ao adoecimento, especialmente quando associado a padrões irreais de beleza e comportamento reforçados pelas redes sociais.

Sintomas que merecem atenção

Durante a entrevista, Fabiana listou alguns sinais comuns que indicam que a saúde mental pode estar comprometida:

  • Esquecimentos recorrentes e lapsos de memória
  • Irritabilidade e dificuldade de autorregulação emocional
  • Sensação constante de esgotamento
  • Queda da libido
  • Dores físicas sem causa clínica aparente
  • Sensação de estar apenas “sobrevivendo”, e não vivendo

Ela reforçou que muitas mulheres seguem funcionando normalmente, mas internamente já estão adoecidas.

A dificuldade de pedir ajuda

Outro ponto central da conversa foi a resistência cultural em buscar apoio psicológico. Enquanto consultas médicas são socialmente aceitas, o cuidado com a saúde mental ainda enfrenta preconceitos e adiamentos, principalmente entre mulheres que se sentem responsáveis por sustentar emocionalmente toda a família.

“A mulher cuida de todos, mas esquece de cuidar de si”, destacou Fabiana.

Divisão de tarefas e escuta no relacionamento

A entrevista também abordou a desigualdade na divisão das responsabilidades domésticas e emocionais. Embora avanços tenham ocorrido, ainda recai majoritariamente sobre a mulher o papel de acolher, organizar e sustentar a dinâmica familiar.

Para a psicóloga, a falta de escuta nos relacionamentos é uma das principais queixas levadas aos consultórios. Muitas mulheres adoecem por não conseguirem verbalizar o que sentem, acumulando frustrações e silêncios.

Saúde mental como prevenção

Fabiana defendeu a importância da prevenção e do autocuidado emocional, ressaltando que saúde mental envolve escuta, acolhimento e a capacidade de reconhecer limites. Segundo ela, verbalizar desconfortos e buscar ajuda profissional não é sinal de fraqueza, mas de responsabilidade consigo mesma.

A psicóloga também destacou a importância de os homens estarem atentos aos sinais de adoecimento emocional das parceiras e de buscarem, igualmente, acompanhamento psicológico quando necessário.

Conversas que salvam

Ao final da entrevista, tanto a psicóloga quanto a apresentadora reforçaram que falar sobre saúde mental é uma forma de prevenção e cuidado coletivo. Criar espaços de escuta, diálogo e reflexão pode evitar que o adoecimento avance para quadros mais graves, como depressão e ansiedade crônica.


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