Lei Cão Orelha propõe mudança no ECA para punir crueldade contra animais

Projeto em tramitação no Senado permite internação de adolescentes envolvidos em atos de violência extrema contra animais

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 8 de fevereiro de 2026

5 min.
Proposta no Senado altera o ECA e prevê internação de menores que cometerem atos de crueldade e violência contra animais

Proposta no Senado altera o ECA e prevê internação de menores que cometerem atos de crueldade e violência contra animais. - Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Um projeto de lei protocolado no Senado Federal pretende endurecer as regras do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para permitir a internação de adolescentes que pratiquem atos de crueldade contra animais. Batizada de Lei Cão Orelha, a proposta surge como resposta direta a um caso de violência extrema que chocou Santa Catarina no início de 2026, em Florianópolis.

O projeto é de autoria do senador Fabiano Contarato (PT-ES), presidente da CPI do Crime Organizado, e busca equiparar a gravidade da violência contra animais à violência praticada contra pessoas, para fins de aplicação das medidas socioeducativas mais severas previstas em lei.

O que prevê a Lei Cão Orelha

O Projeto de Lei nº 372/2026 altera o inciso I do artigo 122 do ECA. Pela legislação atual, a medida de internação só pode ser aplicada quando o ato infracional é cometido mediante grave ameaça ou violência contra a pessoa humana.

A proposta inclui explicitamente a violência contra animais nesse rol, permitindo que o Judiciário determine a privação de liberdade de adolescentes em casos de crueldade, sadismo ou maus-tratos graves. A mudança pretende corrigir uma lacuna legal que, segundo o autor do projeto, resulta em punições consideradas brandas diante de atos de extrema violência.

Na justificativa apresentada, o texto destaca que a tortura de animais por jovens pode indicar elevado grau de insensibilidade e risco à convivência social, exigindo uma resposta mais firme do Estado, tanto para proteção da sociedade quanto para a reeducação do infrator.

Caso do cão Orelha motivou a proposta

A iniciativa legislativa ganhou força após a morte do cão Orelha, animal comunitário conhecido e cuidado por moradores da Praia Brava, no Norte da Ilha, em Florianópolis. O cão vivia na região havia cerca de dez anos e era conhecido por seu comportamento dócil.

Em janeiro de 2026, Orelha foi brutalmente agredido com pauladas e pedradas. A Polícia Civil identificou um adolescente como autor das agressões, e o laudo pericial apontou que a causa da morte foi traumatismo craniano provocado por objeto contundente.

Limitações do ECA e repercussão

Embora o autor do ato infracional tenha sido identificado e indiciado, as limitações do ECA impediram a aplicação de medidas mais severas, o que gerou indignação da comunidade local e ampla repercussão em Santa Catarina e em outras regiões do país.

Além do ato infracional análogo a maus-tratos, familiares do adolescente também foram indiciados por coação no curso do processo, sob suspeita de ameaçar uma testemunha para tentar ocultar provas do crime.

A comoção popular resultou em manifestações e reacendeu o debate sobre a necessidade de atualizar a legislação para lidar com episódios de violência extrema contra animais praticados por menores de idade.

Tramitação no Senado

A Lei Cão Orelha ainda está em tramitação no Senado Federal e deverá passar pelas comissões temáticas antes de ser levada à votação em plenário. Caso seja aprovada, a proposta pode representar uma mudança significativa na forma como o ordenamento jurídico brasileiro trata atos de crueldade contra animais cometidos por adolescentes.


FIQUE BEM INFORMADO:

Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe



× SCTODODIA Rádios