Anvisa reforça alerta sobre riscos no uso inadequado de canetas emagrecedoras

Agência mantém benefícios dos medicamentos, mas alerta que uso fora da bula eleva casos graves

Leticia Matos

Publicado em: 9 de fevereiro de 2026

5 min.
Anvisa reforça alerta sobre riscos no uso inadequado de canetas emagrecedoras. - Foto: Canva

Anvisa reforça alerta sobre riscos no uso inadequado de canetas emagrecedoras. - Foto: Canva

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) emitiu um alerta de farmacovigilância para chamar a atenção da população e dos profissionais de saúde sobre os riscos associados ao uso indevido de medicamentos agonistas do receptor GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras. A medida ocorre diante do aumento de notificações de eventos adversos graves, especialmente casos de pancreatite aguda, tanto no Brasil quanto no exterior.

O alerta envolve substâncias como dulaglutida, liraglutida, semaglutida e tirzepatida, indicadas principalmente para o tratamento do diabetes tipo 2 e, em situações específicas, para obesidade, sempre conforme critérios médicos. Segundo a Anvisa, embora o risco de pancreatite já esteja descrito nas bulas aprovadas no país, o uso fora das indicações autorizadas tem elevado significativamente a probabilidade de complicações severas.

Risco grave exige acompanhamento médico

De acordo com a agência, a pancreatite aguda associada a esses medicamentos pode evoluir para quadros necrotizantes e até fatais. Apesar disso, a Anvisa esclarece que não houve alteração na avaliação de risco-benefício dos produtos. Quando utilizados corretamente, conforme a bula e com acompanhamento médico, os benefícios terapêuticos continuam superando os riscos.

Dados internacionais reforçam a preocupação. A autoridade reguladora do Reino Unido (MHRA) registrou, entre 2007 e outubro de 2025, 1.296 notificações de pancreatite relacionadas ao uso desses medicamentos, com 19 óbitos. No Brasil, entre 2020 e 7 de dezembro de 2025, foram notificadas 145 suspeitas de eventos adversos e seis casos com desfecho de óbito em investigação.

Receita retida e controle mais rígido

O aumento de registros foi um dos fatores que levaram a Anvisa a endurecer as regras de comercialização. Desde junho de 2025, farmácias e drogarias são obrigadas a reter a receita médica desses medicamentos, conforme a RDC nº 973/2025 e a IN nº 360/2025. A prescrição passou a ser feita em duas vias, e a validade das receitas é de até 90 dias, seguindo modelo semelhante ao adotado para antibióticos.

Segundo a Anvisa, a decisão busca proteger a saúde da população diante do uso indiscriminado, especialmente para emagrecimento sem indicação clínica, prática que dificulta o diagnóstico precoce de complicações graves.

Orientações à população e aos profissionais

A agência orienta que usuários procurem atendimento médico imediato ao apresentarem dor abdominal intensa e persistente, que pode irradiar para as costas e vir acompanhada de náuseas e vômitos, sinais compatíveis com pancreatite aguda. Já os profissionais de saúde devem suspender o tratamento ao suspeitar da reação e não retomá-lo caso o diagnóstico seja confirmado.

A Anvisa também reforça a importância da notificação de eventos adversos por meio do sistema VigiMed, ferramenta essencial para o monitoramento contínuo da segurança desses medicamentos, que estão há pouco mais de cinco anos no mercado brasileiro.

Monitoramento constante

Este não é o primeiro alerta envolvendo a classe dos agonistas de GLP-1. Nos últimos anos, a Anvisa já havia comunicado riscos de aspiração durante procedimentos anestésicos, em 2024, e uma condição rara de perda de visão associada à semaglutida, em 2025. Segundo a agência, os alertas demonstram o acompanhamento permanente da segurança desses medicamentos.


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