Numismática preserva a história e pode virar investimento, explica colecionador

Desde a infância, o numismata Fagner Máximo reúne moedas e cédulas raras e defende o colecionismo como guardião da memória histórica

José Demathé

Publicado em: 10 de fevereiro de 2026

8 min.

Numismática preserva a história e pode virar investimento, explica colecionador Foto: Imagem ilustrativa

A numismática, prática dedicada ao estudo e à coleção de moedas e cédulas, vai muito além do valor financeiro das peças. Para o numismata Fagner Máximo, colecionar é preservar a história e compreender os diferentes períodos que moldaram sociedades ao redor do mundo. Em entrevista, ele relata como começou ainda na infância, detalha o que torna uma moeda rara e explica por que o colecionismo também pode se transformar em investimento.

O início ainda na infância

O interesse de Fagner Máximo pelas moedas começou cedo, por volta de 1991, quando tinha apenas seis anos. O período de constantes trocas monetárias no Brasil, com grande circulação de moedas e cédulas, despertou a curiosidade da criança.

“Eu brincava de mercadinho e comecei a separar uma moeda e uma cédula de cada modelo”, relembra. Foi nesse hábito simples que surgiu o primeiro contato com o colecionismo, ainda sem a noção de que, anos depois, aquilo se tornaria uma paixão duradoura.

A primeira peça oficial da coleção foi uma cédula de 200 cruzados novos, com a efígie da República, a mesma imagem utilizada nas cédulas da primeira família do Plano Real, lançadas em 1994.

O momento decisivo no colecionismo

A trajetória como colecionador ganhou outro patamar quando Fagner teve acesso a livros especializados em selos e moedas. Segundo ele, foi nesse momento que percebeu a dimensão do universo numismático.

“Ali eu entendi que existia um mundo gigantesco. Passei a querer mais peças e, principalmente, conhecer a história por trás de cada uma”, explica.

O que torna uma moeda rara ou valiosa

Ao contrário do que muitos imaginam, a antiguidade não é o único fator que define o valor de uma moeda. Fagner destaca que a raridade está ligada principalmente a três aspectos:

  • quantidade de emissão;
  • período histórico;
  • tipo de metal utilizado.

Ele cita como exemplo moedas romanas dos séculos III e IV, que podem ser encontradas por valores relativamente acessíveis, enquanto moedas brasileiras recentes, como a de 1 real de 2012 com a Bandeira Olímpica, podem alcançar cifras bem mais altas, dependendo do estado de conservação.

Períodos e países mais procurados

No cenário internacional, há grande procura por moedas da Grécia e de Roma antigas, além das cunhadas durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial. Em algumas regiões, como a África, o interesse se volta para protomoedas de períodos coloniais.

No Brasil, segundo Fagner, o colecionismo se divide principalmente entre dois grupos: aqueles que buscam moedas do período Colonial e Imperial e os que se dedicam às moedas mais recentes, da era dos Cruzeiros, Cruzados e do Plano Real.

A moeda mais rara do Brasil

Entre todas as peças da numismática nacional, uma se destaca como a mais cobiçada: a chamada Peça da Coroação. Cunhada em ouro para a coroação de Dom Pedro I, em 1822, a moeda de 6.400 réis teria sido utilizada como presente aos convidados da cerimônia.

No entanto, a peça foi rejeitada pelo imperador por apresentar o busto nu, inspirado nos imperadores romanos. Das 64 moedas cunhadas, apenas 16 sobreviveram ao longo do tempo. Cada uma delas é avaliada, em média, em cerca de R$ 1,5 milhão, sendo considerada a mais valiosa da numária brasileira.

Peças curiosas e raridades pessoais

Ao longo dos anos, Fagner encontrou moedas com histórias singulares, como um patacão de prata de 1810 cunhado sobre uma moeda do Peru, prática conhecida como recunho.

Já a peça mais antiga de sua coleção é uma tetradracma de Alexandre, o Grande, datada de 336 a.C., considerada rara e de grande relevância histórica.

Hobby ou investimento

Para o numismata, a coleção começa como hobby, mas pode se transformar em investimento com estudo e planejamento. Ele afirma que parte do valor usado na compra de sua casa veio da venda de moedas selecionadas ao longo do tempo.

“Se souber qualificar, separar e armazenar corretamente as peças, a numismática pode render bons resultados no futuro”, afirma.

Cuidados para quem está começando

Fagner orienta que iniciantes adotem cuidados básicos, como separar moedas por tipo de metal para evitar corrosão e manter cédulas em envelopes adequados para prevenir fungos. Mesmo sem investir inicialmente em álbuns específicos, é possível armazenar as peças de forma simples e segura.

Como evitar golpes e falsificações

O mercado numismático também exige atenção. O colecionador recomenda cautela em compras online, avaliação da procedência dos vendedores e participação em grupos especializados, onde é possível trocar informações e aprender a identificar moedas falsas.

O valor histórico da numismática

Para além do aspecto financeiro, Fagner resume o significado do colecionismo em uma ideia central: preservar a memória.

“O colecionador é responsável por guardar uma parte importante da história. Cada moeda e cada cédula contam um capítulo da trajetória da humanidade”, conclui.


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