A divulgação precipitada de informações sensíveis, especialmente em casos de morte, voltou ao centro do debate jornalístico após um episódio recente envolvendo o falecimento do professor Fábio Zabot. O tema foi analisado em entrevista com o jornalista, locutor e professor de comunicação Ronaldo Sant’Anna, que destacou a importância da apuração rigorosa e da responsabilidade social da imprensa.
O que aconteceu
Segundo o relato, uma nota de pesar publicada pela Associação Catarinense das Fundações Educacionais (Acafe) acabou sendo divulgada antes da confirmação oficial do óbito. A informação foi replicada por diversos veículos e canais regionais sem checagem adicional. A confirmação da morte ocorreu apenas mais tarde, o que expôs familiares e a comunidade a uma situação delicada.
A pressa e o “furo” da notícia
Para Ronaldo Sant’Anna, a busca pelo chamado “furo jornalístico” sempre fez parte da rotina da imprensa, mas não pode se sobrepor à veracidade dos fatos.
“O furo sempre foi uma procura de todo jornalista. Porém, é extremamente importante a questão da apuração”, ressaltou.
Ele explicou que, mesmo quando a informação parte de uma fonte considerada confiável, como uma entidade oficial, é recomendável buscar uma segunda confirmação antes da publicação. “A fonte pode ser fidedigna, mas ainda assim é importante verificar com outra fonte”, afirmou.
Impacto sobre famílias e sociedade
O professor alertou para o impacto humano da divulgação precoce. Em casos de falecimento, a notícia pode chegar à família pelas redes sociais antes mesmo da comunicação oficial, ampliando o sofrimento.
“Imagina a família no hospital recebendo pela internet a informação de que a pessoa faleceu”, exemplificou.
Redes sociais e desinformação
Sant’Anna também destacou que a velocidade das redes sociais e a facilidade de produção de conteúdo ampliaram o risco de erros. Segundo ele, qualquer pessoa pode hoje se apresentar como informante, muitas vezes sem compromisso com técnicas jornalísticas ou ética profissional.
“O problema é que hoje qualquer um é produtor de conteúdo e muita gente acredita em informações sem saber a fonte ou a veracidade”, disse.
A importância da formação e da ética
Embora o diploma de jornalismo não seja mais obrigatório, o professor enfatizou que a universidade continua sendo o espaço onde se aprende técnica, ética e responsabilidade. Para ele, jornalistas profissionais precisam se diferenciar justamente pelo compromisso com a verdade e pela checagem rigorosa.
A principal lição
Ao final da entrevista, Ronaldo Sant’Anna deixou um recado tanto para quem está começando na área quanto para o público consumidor de notícias:
“O valor maior do jornalismo não é a velocidade, é a verdade. Não podemos noticiar algo sem ter certeza absoluta de que é verdade.”
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