Centro de Florianópolis prepara virada urbana até 2027

Projeto articulado por comerciantes e poder público quer transformar a Felipe Schmidt em polo permanente de convivência, comércio e cultura

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 11 de fevereiro de 2026

6 min.
Retrofit no Centro de Florianópolis quer ampliar permanência na Felipe Schmidt e marcar os 50 anos do calçadão, em 2027

Retrofit no Centro de Florianópolis quer ampliar permanência na Felipe Schmidt e marcar os 50 anos do calçadão, em 2027. - Foto: Prefeitura de Florianópolis/Divulgação

O Centro de Florianópolis pode estar diante de uma nova transformação urbana. Um projeto de retrofit em discussão entre comerciantes, proprietários de imóveis e poder público pretende reposicionar a rua Felipe Schmidt e a rua Trajano como áreas estratégicas de convivência, comércio e cultura até 2027, ano em que o calçadão completa 50 anos.

A proposta surge após um estudo técnico que analisou fluxo de pessoas, perfil do público e dinâmica comercial da região. A iniciativa busca enfrentar um desafio claro: apesar da intensa circulação diária, o tempo de permanência no local ainda é reduzido.

Movimento intenso, pouco tempo de permanência

Levantamento recente aponta que cerca de 412 mil pessoas circulam por mês na Felipe Schmidt. O público é diverso, incluindo estudantes, servidores públicos, moradores, turistas e consumidores de bairros com menor oferta comercial. Mulheres e integrantes das classes B e C aparecem com participação expressiva.

Mesmo com esse volume, a maior parte das visitas é rápida, concentrada em horários de intervalo. O novo planejamento urbano pretende inverter essa lógica, estimulando permanência, consumo e uso qualificado do espaço público.

Entre os eixos discutidos estão:

  • Reorganização do mix de lojas e serviços;
  • Ampliação da oferta gastronômica;
  • Estímulo à moradia e hospedagem na região central;
  • Melhorias em mobilidade e acessibilidade;
  • Reforço na manutenção, segurança e limpeza;
  • Valorização da memória histórica do Centro.

A estratégia não se limita a intervenções físicas, mas propõe uma reconfiguração da experiência urbana.

Modelo inspirado em centros planejados

Uma das ideias debatidas é adotar um padrão mínimo de organização semelhante ao de centros comerciais estruturados, consolidando o conceito de “shopping a céu aberto”.

Entre as ações avaliadas estão:

  • Padronização da comunicação visual;
  • Melhor iluminação noturna;
  • Vitrines mais atrativas;
  • Ampliação do horário de funcionamento, inclusive aos fins de semana;
  • Promoção de eventos frequentes;
  • Instalação de áreas de sombreamento e qualificação das marquises;
  • Incentivo ao uso do espaço para lazer e convivência.

A área inicial do projeto compreende as duas últimas quadras da Felipe Schmidt até a Praça XV de Novembro e trechos da rua Trajano no entorno do cruzamento com a via principal.

Gestão compartilhada como diferencial

O modelo em discussão prevê gestão coletiva, com participação ativa de comerciantes, proprietários e poder público. A ideia é estruturar uma espécie de condomínio urbano, com metas comuns e regras definidas para fortalecer a competitividade do Centro.

A Prefeitura acompanha o debate dentro do conjunto de iniciativas voltadas à revitalização do Centro Histórico, com foco na caminhabilidade e na ocupação qualificada dos espaços públicos.

Um marco simbólico para 2027

O calendário é estratégico. Em 2027, o calçadão da Felipe Schmidt completa meio século de existência. A expectativa é que a data represente não apenas uma comemoração histórica, mas a consolidação de uma nova fase para o Centro de Florianópolis.

Mais do que obras pontuais, o projeto pretende redefinir a lógica de uso da área central, integrando comércio, moradia, lazer e cultura em um dos espaços mais emblemáticos da capital catarinense.

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