O avanço das chamadas canetas emagrecedoras está no centro de uma mudança histórica no mercado global de açúcar. A popularização de medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro, reduziu o apetite e a vontade por doces, provocando uma queda expressiva na demanda e derrubando os preços da commodity aos níveis mais baixos desde outubro de 2020.
Na última quarta-feira (11), os contratos futuros do açúcar bruto negociados em Nova York recuaram para menos de 14 centavos de dólar por libra-peso — valor que representa menos da metade do registrado no fim de 2023. O movimento reflete uma nova dinâmica de consumo, impulsionada por tratamentos para perda de peso cada vez mais acessíveis.
Menos doces no prato, mais pressão no mercado
Os medicamentos à base de GLP-1 atuam diretamente na sensação de saciedade e no controle do apetite. Na prática, reduzem o consumo de alimentos ultraprocessados e guloseimas, afetando especialmente os consumidores que concentravam grande parte das compras de doces.
Analistas da corretora Marex apontam que cerca de 20% dos consumidores são responsáveis por aproximadamente 65% das vendas de guloseimas. Assim, mesmo uma adesão parcial aos tratamentos tem efeito desproporcional na demanda global por açúcar.
Nos Estados Unidos e no México, a desaceleração já levou o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a revisar para baixo suas estimativas de consumo em 23 mil toneladas para 2026.
Produção elevada amplia impacto da queda
Enquanto o consumo perde força, a produção mundial de açúcar permanece estável, estimada em cerca de 180 milhões de toneladas, com Brasil e Índia liderando a oferta. Como o ciclo da cana-de-açúcar é longo, não há ajuste imediato na produção, o que aumenta a pressão sobre os preços.
O mercado avalia o cenário como pessimista, com investidores apostando em novas quedas caso o uso das canetas emagrecedoras continue avançando, inclusive com a possível chegada de versões em comprimidos, que podem ampliar o acesso ao tratamento.
Setor de proteínas cresce na contramão
Se o açúcar enfrenta retração, o mercado de proteínas registra movimento inverso. Usuários de medicamentos para emagrecimento têm priorizado alimentos com maior densidade nutricional, principalmente para evitar perda de massa muscular.
Entre os destaques:
- Soro de leite (whey protein) com preços em alta na Europa e nos Estados Unidos;
- Queijo cottage com aumento de 50% nas vendas em relação ao ano anterior;
- Indústria alimentícia reformulando portfólios para priorizar produtos ricos em proteína.
Reflexos para o Brasil
Como maior produtor e exportador mundial de açúcar, o Brasil pode sentir os efeitos principalmente nas exportações e na rentabilidade do setor sucroenergético. A intensidade do impacto interno dependerá do câmbio, do consumo doméstico e da estratégia das usinas, que também atuam na produção de etanol.
O cenário evidencia como tendências de saúde e inovação farmacêutica passaram a influenciar diretamente o mercado de commodities agrícolas, alterando padrões de consumo e pressionando cadeias produtivas tradicionais.
FIQUE BEM INFORMADO:
📲 Fique por dentro do que acontece em Santa Catarina!
Entre agora no nosso canal no WhatsApp e receba as principais notícias direto no seu celular.
👉 Clique aqui e acompanhe