O Dia Mundial do Rádio foi celebrado nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, e marcou uma reflexão sobre a força e a capacidade de reinvenção de um dos meios de comunicação mais tradicionais do mundo. Em entrevista à Rádio Cidade em Dia FM, do Grupo SCTODODIA, o jornalista e radialista Denis Luciano destacou a evolução do veículo, sua conexão com o público e os desafios da nova era digital.
Com 46 anos e mais de três décadas dedicadas ao rádio, Denis relembrou que iniciou a carreira aos 15 anos, em 1995, justamente no período em que surgiam as primeiras discussões sobre o impacto da internet nos meios tradicionais. Segundo ele, o rádio não apenas resistiu às transformações tecnológicas, como ampliou seu alcance.
“Quando a internet começou a se consolidar, percebemos que ela não acabaria com o rádio. Pelo contrário, levaria o nosso som onde a antena não chega”, afirmou.
Conexão direta com a comunidade
Durante a conversa, Denis ressaltou que a principal força do rádio continua sendo a conexão com as pessoas, especialmente em momentos de crise.
Ele citou como exemplo um temporal recente em Criciúma, quando moradores ficaram sem energia elétrica e recorreram ao rádio de pilha para acompanhar a transmissão de um jogo. Para o jornalista, essa mobilidade e acessibilidade são diferenciais que mantêm o rádio relevante.
“O rádio tem essa capacidade de ser o bote salva-vidas em momentos de emergência. Ele chega onde outros meios não conseguem”, destacou.
Criatividade e mobilização: uma marca histórica
Denis também relembrou um episódio marcante de sua trajetória, em 2000, na cidade de Rio Grande (RS), quando acompanhou ao vivo o cortejo fúnebre do então prefeito Wilson Mattos Branco por cerca de 80 quilômetros, utilizando uma estrutura improvisada de transmissão móvel.
A cobertura mobilizou milhares de pessoas nas ruas da cidade, que acompanharam em tempo real o trajeto anunciado pelo rádio. O relato reforça, segundo ele, o poder de mobilização do veículo mesmo com poucos recursos tecnológicos.
Para Denis, o rádio sempre se destacou pela criatividade e pela capacidade de provocar imagens na mente do ouvinte.
“O rádio faz as pessoas imaginarem as cenas. Ele cria conexão”, pontuou.
O rádio sob demanda e o futuro da programação
Ao falar sobre o futuro do meio, o radialista defendeu que o rádio caminha cada vez mais para um modelo sob demanda, moldado pelas necessidades e interesses do público.
Segundo ele, a programação tradicional, dividida em horários fixos e apresentadores específicos, tende a se tornar mais flexível ao longo do tempo.
“Nós precisamos transpirar aquilo que as pessoas querem saber, e não apenas o que achamos que elas querem ouvir”, afirmou.
Para Denis, a tecnologia já está consolidada. O diferencial, agora, está na capacidade de compreender o público e equilibrar o que vem das ruas com o que é transmitido nos estúdios.
Profissão exige paixão e equilíbrio
Questionado sobre conselhos para quem deseja ingressar na área, Denis foi direto: o rádio é fascinante, mas exige dedicação e equilíbrio.
Ele destacou que a profissão demanda disponibilidade em finais de semana, feriados e horários alternativos, o que pode impactar a vida pessoal e familiar. Ainda assim, reforçou que a paixão pelo rádio costuma falar mais alto.
“É uma profissão exigente, mas quem tem paixão dificilmente abandona o rádio”, concluiu.
A entrevista foi conduzida pela jornalista Manuela Oliveira e integra a programação especial da Rádio Cidade em Dia FM 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA, em celebração ao Dia Mundial do Rádio.
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