O Ramadã começa nesta semana e marca um dos períodos mais sagrados para milhões de muçulmanos em todo o mundo. Em entrevista à Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, nesta segunda-feira (16), o Sheikh Adil Ali, líder da mesquita de Criciúma, explicou o significado espiritual e social do mês e detalhou como a comunidade islâmica da região vivencia esse momento.
Morador de Criciúma há cerca de 12 anos, o religioso — brasileiro, nascido em São Paulo e formado em Teologia e Jurisprudência Islâmica — atua no fortalecimento da comunidade muçulmana no Sul de Santa Catarina. A mesquita está localizada na rua Palestina, ao lado do Paço Municipal.
O que é o Ramadã
Segundo o Sheikh, o Ramadã é o quarto dos cinco pilares do Islã — fundamentos que estruturam a fé islâmica. Entre eles estão:
- A crença em Deus único e nos profetas;
- As cinco orações diárias;
- A caridade anual obrigatória para quem possui condições financeiras;
- O jejum no mês do Ramadã;
- A peregrinação a Meca, ao menos uma vez na vida, para quem puder realizá-la.
Durante o Ramadã, os fiéis praticam o jejum do amanhecer ao pôr do sol, abstendo-se de alimentos, bebidas e relações conjugais nesse período. No entanto, o Sheikh ressalta que o propósito vai além da restrição física.
“O Ramadã é uma escola de autocontrole. Não é apenas ficar sem comer e beber, mas aprender a controlar desejos, purificar o coração e sair desse mês como uma pessoa melhor”, afirmou.
Pessoas com problemas de saúde são dispensadas do jejum. Nesses casos, podem contribuir oferecendo refeições a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Conexão espiritual e solidariedade
De acordo com o líder religioso, o mês é marcado pela intensificação da conexão com Deus e pelo esforço em desenvolver virtudes como humildade, empatia e generosidade.
“O fiel busca purificar a alma, tirar do coração o orgulho, a inveja e o rancor. É um período para desejar o bem ao próximo e fortalecer a paz”, explicou.
O Sheikh destacou ainda que o jejum também tem dimensão social. Ao sentir fome durante o dia, o muçulmano é incentivado a refletir sobre aqueles que vivem em situação de necessidade permanente.
Como funcionam as celebrações
As orações acontecem diariamente, mas a principal reunião ocorre às sextas-feiras, por volta do meio-dia, quando os fiéis se encontram na mesquita para a oração coletiva. Durante o Ramadã, as atividades se intensificam.
Em Criciúma, haverá programação especial todas as noites, das 20h às 21h30, com momentos de oração e confraternização. O desjejum — refeição que encerra o período diário de jejum ao pôr do sol — também será realizado na mesquita em diversos dias do mês.
“O convite é aberto. Quem quiser conhecer, entender melhor a religião ou participar desse momento é bem-vindo”, afirmou o Sheikh.
Casamento e valores familiares
Durante a entrevista, o religioso também falou sobre o casamento na tradição islâmica, definido por ele como uma união incentivada e considerada uma forma de adoração a Deus.
Segundo o Sheikh, a religião orienta que, ao atingir maturidade e condições adequadas, os jovens busquem o casamento como forma de fortalecer a família e evitar conflitos sociais.
Vivência do Islã em Santa Catarina
Ao comentar sobre sua experiência em Criciúma, o Sheikh afirmou que a receptividade tem sido positiva. Segundo ele, o interesse da população em conhecer a religião contribui para o diálogo e a convivência respeitosa.
O Ramadã segue ao longo do próximo mês, reforçando valores como disciplina, solidariedade e paz — princípios que, segundo o líder religioso, ultrapassam barreiras culturais e religiosas.
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