Brasil segue entre os piores na percepção de corrupção

País aparece na 107ª colocação em ranking internacional e amplia distância para nações com instituições mais sólidas

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 16 de fevereiro de 2026

5 min.
Brasil ocupa a 107ª posição no ranking global de percepção da corrupção e mantém pontuação abaixo da média internacional

Brasil ocupa a 107ª posição no ranking global de percepção da corrupção e mantém pontuação abaixo da média internacional. - Foto: Igo Estrela/Metrópoles

O Brasil terminou 2025 ocupando a 107ª posição entre 182 países avaliados no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), estudo anual divulgado pela Transparência Internacional. Com 35 pontos em uma escala que vai até 100, o país permanece distante dos líderes globais e abaixo da média registrada no continente americano.

O resultado mantém o Brasil em um patamar considerado delicado por analistas, sobretudo em relação à confiança nas instituições públicas e à previsibilidade das decisões estatais.

Países mais bem avaliados

As primeiras colocações do ranking são ocupadas por nações que consolidaram sistemas de controle rígidos e regras administrativas estáveis. No topo está a Dinamarca, com 90 pontos, seguida por Finlândia (88) e Singapura (84).

Também aparecem entre os melhores desempenhos:

  • Nova Zelândia – 83 pontos
  • Luxemburgo – 81 pontos
  • Noruega – 81 pontos
  • Suíça – 81 pontos

Esses países compartilham características como transparência nos processos decisórios, fiscalização eficiente e baixa tolerância institucional a desvios.

Nações com piores indicadores

Na base da lista estão países que enfrentam conflitos armados, crises políticas prolongadas ou ausência de estruturas de controle consolidadas. Entre eles:

  • Sudão do Sul – 8 pontos
  • Somália – 9 pontos
  • Venezuela – 10 pontos
  • Síria – 12 pontos
  • Guiné Equatorial, Eritreia, Líbia e Iêmen – 13 pontos

Nesses casos, a percepção internacional é de fragilidade institucional e dificuldades na aplicação de regras claras.

Diferença está na estrutura do Estado

Especialistas apontam que o bom desempenho de países escandinavos não está ligado a fatores culturais isolados, mas ao funcionamento consistente de suas instituições. Processos administrativos transparentes, órgãos de controle independentes e respostas rápidas a irregularidades são elementos comuns entre as nações melhor avaliadas.

No Brasil, o cenário é distinto. O país convive com mudanças frequentes em interpretações jurídicas, longos trâmites processuais e disputas institucionais que, segundo analistas, comprometem a previsibilidade regulatória.

Impacto na economia e na imagem internacional

A colocação brasileira no IPC influencia diretamente a percepção de investidores estrangeiros e organismos internacionais. Ambientes considerados menos estáveis tendem a exigir maior cautela de empresas e podem elevar o custo de operações e contratos.

Além disso, a oscilação na aplicação de normas e decisões judiciais contribui para a sensação de insegurança regulatória, fator frequentemente citado em relatórios econômicos internacionais.

O que mede o Índice de Percepção da Corrupção

O IPC não contabiliza casos concretos de corrupção, mas reúne avaliações de executivos, especialistas e analistas sobre a integridade do setor público em cada país. Trata-se, portanto, de um indicador de confiança institucional.

A melhoria no ranking depende, segundo estudiosos, de reformas estruturais, fortalecimento de órgãos de controle, estabilidade normativa e resposta consistente a irregularidades identificadas.

Para o Brasil, o desafio está em transformar a percepção negativa em sinais concretos de estabilidade e transparência capazes de reposicionar o país no cenário internacional.


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