A segunda noite de desfiles do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro foi marcada por homenagens a grandes nomes da cultura brasileira e pela valorização da ancestralidade afro-brasileira. Beija-Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro foram os principais destaques da noite, realizada na Marquês de Sapucaí, mas Mocidade Independente de Padre Miguel e Unidos da Tijuca também levaram enredos fortes e emocionantes à avenida.
As quatro escolas cumpriram o tempo máximo de 80 minutos de desfile, mantendo o ritmo e a grandiosidade das apresentações. Na primeira noite, Imperatriz Leopoldinense e Estação Primeira de Mangueira já haviam se destacado, ao lado de Acadêmicos de Niterói e Portela.
Mocidade homenageia Rita Lee com desfile colorido e ativista
Primeira a desfilar na segunda noite, a Mocidade Independente de Padre Miguel apresentou o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”. A escola celebrou o legado musical, estético e comportamental da cantora, referência do rock nacional.
O abre-alas trouxe o rosto de Rita em destaque, cercado por uma explosão de cores que remetia à cultura hippie. O samba-enredo foi recheado de referências aos grandes sucessos da artista.
Entre os pontos altos do desfile:
- Fantasias coloridas sem o uso de penas naturais, em respeito à militância da cantora na defesa dos animais;
- Carro alegórico com cães e gatos, incluindo a menção ao cão Orelha, morto em Florianópolis no início do ano;
- Último carro inspirado na música “Lança Perfume”, com um grande arlequim verde e a presença de Roberto de Carvalho, viúvo de Rita Lee.
Beija-Flor transforma avenida em ritual ancestral
Atual campeã, a Beija-Flor de Nilópolis levou para a Sapucaí o enredo “Bembé”, contando a história do Bembé do Mercado, considerado o maior candomblé de rua do mundo, realizado há mais de 130 anos em Santo Amaro da Purificação, na Bahia.
A escola apostou na força da religiosidade afro-brasileira para levantar o público. A comissão de frente encenou uma procissão de pescadores carregando um barco, que se erguia para revelar a Mãe da Água, símbolo de fé e travessia.
O abre-alas destacou rituais de purificação, com:
- Beija-flores gigantes e máscaras ancestrais;
- Tons de azul e dourado evocando Oxum e Iemanjá;
- Alegorias imponentes representando as etapas do ritual do Bembé.
O conjunto transformou a avenida em um grande cortejo de celebração às raízes africanas.
Viradouro exalta Mestre Ciça e traz Juliana Paes de volta
Terceira a desfilar, já na madrugada, a Unidos do Viradouro apresentou o enredo “Pra Cima, Ciça”, homenagem ao lendário Mestre Ciça, um dos maiores nomes da bateria no carnaval carioca.
A comissão de frente trouxe elementos clássicos dos ritmistas, como pandeiros e apitos, e contou com a participação do jovem Vitor Gabriel representando Ciça na infância. Em um dos momentos mais impactantes, dois grandes apitos formaram a Praça da Apoteose, revelando o próprio Mestre Ciça saudando o público.
O desfile também marcou:
- O retorno de Juliana Paes como rainha de bateria após 18 anos;
- A recriação do histórico desfile de 2007, quando a bateria desfilou sobre um carro alegórico;
- Forte presença das cores vermelho e branco, marca da escola.
Unidos da Tijuca resgata memória de Carolina Maria de Jesus
Encerrando a noite, a Unidos da Tijuca levou à Sapucaí o enredo “Carolina Maria de Jesus”, em homenagem à escritora mineira autora de “Quarto de Despejo”.
A comissão de frente apresentou a trajetória da autora a partir do carrinho utilizado para recolher materiais recicláveis, que se transformava simbolicamente em seu quarto na favela.
O desfile destacou:
- A retomada de uma tradição no figurino do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, que utilizou o pavão, símbolo da escola;
- A narrativa da vida de Carolina desde a infância em Minas Gerais até o reconhecimento literário;
- Um samba-enredo que questionou o apagamento histórico da escritora e reivindicou a preservação de sua memória.
Terceira noite promete fechar desfiles com grandes nomes
O terceiro e último dia de desfiles do Grupo Especial acontece na noite de terça-feira (17) e madrugada de quarta (18), com apresentações de Paraíso do Tuiuti, Unidos de Vila Isabel, Acadêmicos do Grande Rio e Acadêmicos do Salgueiro.
A expectativa é de mais uma noite de arquibancadas lotadas e enredos que unem espetáculo, crítica social e celebração cultural, reforçando o papel do Carnaval do Rio como uma das maiores manifestações populares do mundo.
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