Psicóloga orienta pais sobre volta às aulas sem ansiedade

Em entrevista à Rádio Cidade em Dia, especialista explica como acolher emoções, reorganizar rotina e fortalecer vínculo familiar no retorno escolar

José Demathé

Publicado em: 17 de fevereiro de 2026

7 min.

Psicóloga orienta pais sobre volta às aulas sem ansiedade Foto: Divulgação

A psicóloga Laura Mitikos participou nesta terça-feira (17) de uma entrevista na Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, e falou sobre os desafios da volta às aulas para crianças e famílias. Durante a conversa com a jornalista Manuela Oliveira, a especialista destacou como pais e responsáveis podem identificar sinais de ansiedade infantil e tornar o retorno à rotina escolar mais tranquilo.

Segundo Laura, é comum que crianças apresentem mudanças de comportamento no período de transição das férias para o início do ano letivo. Entre os sinais mais frequentes estão irritabilidade, retraimento, agitação excessiva e até sintomas físicos, como dores de barriga. “Assim como os adultos, as crianças também sentem ansiedade diante de mudanças”, explicou.

Ansiedade varia conforme a idade

De acordo com a psicóloga, a faixa etária influencia diretamente na forma como a ansiedade se manifesta.

  • Crianças pequenas podem apresentar ansiedade de separação, especialmente na educação infantil, por ainda não compreenderem a noção de tempo e o retorno dos pais.
  • Crianças maiores tendem a demonstrar preocupações sociais, como receio de não estar na mesma turma dos amigos ou medo de não serem aceitas.

Laura reforçou que é fundamental acolher os sentimentos, evitando rotular o comportamento como “birra” ou “manha”. “O adulto precisa ser o porto seguro. A criança ainda está em desenvolvimento e não entende o que está acontecendo como nós entendemos”, afirmou.

Quando é hora de buscar ajuda

Embora seja esperado que haja resistência nos primeiros dias, a especialista alerta que o acompanhamento profissional deve ser considerado quando o sofrimento persiste e compromete significativamente a adaptação escolar.

Entre os sinais de alerta estão:

  • Recusa prolongada e intensa de frequentar a escola;
  • Mudanças bruscas de comportamento;
  • Dificuldade persistente de socialização;
  • Indícios de sofrimento emocional que não diminuem com o tempo.

Nesses casos, pode ser necessário avaliar a presença de alguma neurodivergência ou iniciar acompanhamento psicológico.

Organização da rotina ajuda na adaptação

Para reduzir a ansiedade, Laura recomenda planejamento antecipado e estratégias práticas para reintroduzir a rotina escolar.

Entre as orientações estão:

1. Ajuste gradual do sono

Uma semana antes do início das aulas, os pais podem começar a antecipar o horário de dormir e acordar, restabelecendo gradualmente a rotina.

2. Uso de rotina visual

Calendários ilustrados ajudam crianças pequenas a compreenderem a passagem do tempo. Marcar os dias até o início das aulas torna o processo mais previsível.

3. Participação na escolha do material

Permitir que a criança participe da compra e organização do material escolar estimula autonomia e cria expectativa positiva para o retorno.

4. Conversas positivas sobre a escola

Falar sobre reencontro com amigos, professores e novidades da sala de aula desperta curiosidade e reduz o medo do desconhecido.

Orientação parental também é fundamental

Durante a entrevista, Laura destacou que muitas dificuldades apresentadas pelas crianças estão relacionadas ao ambiente familiar. Segundo ela, o nascimento de um filho também desperta questões emocionais não resolvidas dos próprios pais.

“Muitas vezes não é falta de amor, mas falta de consciência e de presença”, explicou. A psicóloga ressaltou que sessões de orientação parental são ferramentas importantes para ajudar famílias a compreenderem o desenvolvimento infantil e estabelecerem limites com diálogo e clareza.

Ela reforçou que educar não significa agredir física ou emocionalmente. “Dar limites é diferente de bater. A criança precisa entender o que não pode, mas também precisa saber o que pode fazer no lugar”, afirmou.

A importância de quebrar ciclos

Outro ponto abordado foi a necessidade de os adultos refletirem sobre a própria infância e buscarem autoconhecimento. Para a psicóloga, romper padrões negativos é essencial para criar filhos emocionalmente mais seguros.

“A infância é uma fase que nos acompanha pela vida inteira. Por isso, investir em diálogo, presença e acolhimento é um compromisso com o futuro da criança”, concluiu.

Laura Mitikos é psicóloga e participou da entrevista na manhã desta terça-feira (17), na Rádio Cidade em Dia 89.1 FM.


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