Estar de frente para o futuro também significa preservar o passado. Com esse foco, o Governo de Criciúma, por meio da Fundação Cultural de Criciúma (FCC), intensificou ações de valorização da memória histórica e dos patrimônios culturais do município. Entre as iniciativas recentes está a restauração completa do locomóvel instalado na Praça da Chaminé, no bairro Próspera.
O equipamento centenário, símbolo do início da industrialização na cidade, passou por um processo de revitalização que durou cerca de seis meses. A estrutura foi recuperada por uma empresa local especializada, respeitando critérios técnicos de preservação patrimonial e mantendo as características originais da peça.
O locomóvel havia sido retirado temporariamente do local durante as ações do programa “Criciúma, Quem Ama Cuida”, realizadas na região da Grande Próspera em abril do ano passado. Após a conclusão dos trabalhos, o monumento retornou à praça com pintura, componentes e estrutura restaurados.
Para o prefeito Vagner Espindola, preservar o patrimônio histórico é uma forma de manter viva a identidade da cidade. Segundo ele, o cuidado com esses bens garante que as próximas gerações compreendam o processo de desenvolvimento econômico e social do município.
Símbolo do progresso industrial
Fabricado pela empresa Henrich Lanz, na cidade de Mannheim, na Alemanha, o locomóvel foi importado para atender às demandas da mineração de carvão em Santa Catarina. Criciúma, reconhecida como a Capital Brasileira do Carvão, teve no equipamento um marco do avanço tecnológico no início do século XX.
O primeiro locomóvel chegou ao município na década de 1910. Em 1914, já era responsável pela geração de energia elétrica para a Companhia Brasileira Carbonífera de Araranguá (CBCA), além de abastecer o cinema local e estabelecimentos comerciais da época.
Um segundo equipamento foi instalado na Carbonífera Próspera S.A., sob responsabilidade do engenheiro suíço Charles Pittê.
Apesar da aparência semelhante à de uma locomotiva, por conta da caldeira, válvulas e grandes rodas de aço, o locomóvel é, na verdade, um gerador elétrico a vapor. Sua função era fornecer energia para o interior das minas, alimentando lâmpadas, bombas d’água e equipamentos de perfuração — fator determinante para a evolução industrial da cidade.
Preservação da memória urbana
De acordo com a presidente da Fundação Cultural de Criciúma, Cristiane Maccari Uliana Zappelini, a restauração do locomóvel faz parte de um movimento mais amplo de valorização da memória urbana.
Segundo ela, o processo exigiu pesquisa histórica detalhada e suporte técnico especializado para garantir fidelidade às características originais do equipamento. Um dos responsáveis pela restauração, Antônio da Silva, destacou que o principal desafio foi manter a originalidade estrutural da máquina, respeitando cada detalhe técnico.
Inventário amplia proteção ao patrimônio
Paralelamente à restauração, equipes da FCC realizaram visitas técnicas aos monumentos tombados do município para registro, catalogação e diagnóstico de conservação.
O levantamento identificou a ausência de placas informativas em alguns bens e apontou a necessidade de intervenções em outros. Também foram mapeados monumentos ainda não incluídos no catálogo oficial, como placas comemorativas, bustos e obras de arte em espaços públicos.
Até o momento, cerca de 50 monumentos já foram catalogados e classificados nas categorias:
- Monumento Arquitetônico
- Patrimônio Industrial
- Patrimônio Ferroviário
- Monumento Memorial ou Comemorativo
A iniciativa amplia o acervo histórico do município e fortalece as políticas de preservação cultural em Criciúma, consolidando o compromisso com a valorização da identidade local.
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