União Europeia abre investigação contra a Shein

A medida amplia a pressão do bloco sobre a varejista chinesa, que já enfrenta críticas por concorrência desleal e outras polêmicas na França

Eduardo Fogaça

Publicado em: 17 de fevereiro de 2026

6 min.
União Europeia abre investigação contra a Shein. Foto: Reprodução/GettyImages

União Europeia abre investigação contra a Shein. Foto: Reprodução/GettyImages

A União Europeia abriu nesta terça-feira (17) uma investigação formal contra a Shein, sob suspeita de comercializar produtos ilegais e utilizar recursos digitais considerados potencialmente viciantes em sua plataforma. A medida amplia a pressão do bloco sobre a varejista chinesa, que já enfrenta críticas por concorrência desleal e outras polêmicas na França.

A apuração ocorre dentro das novas regras digitais europeias, como a Lei de Serviços Digitais (DSA), que impõe obrigações mais rigorosas às grandes plataformas que operam no mercado europeu.

O que está sendo investigado

Segundo a Comissão Europeia, a investigação vai analisar dois principais pontos:

  • Venda de produtos que não cumprem as regras de segurança e mercado do bloco;
  • Uso de estratégias digitais que podem pressionar o consumidor a comprar.

Entre as práticas que serão avaliadas estão:

  • Contadores regressivos para promoções;
  • Avisos de “últimas unidades disponíveis”;
  • Notificações constantes de ofertas;
  • Mecânicas de recompensa semelhantes a jogos.

Esses recursos são comuns em plataformas de comércio eletrônico, mas podem ser enquadrados como práticas abusivas se estimularem consumo impulsivo ou dificultarem decisões conscientes por parte do consumidor.

Cerco ao ultra fast fashion

A ofensiva contra a Shein ocorre em meio a um movimento mais amplo da União Europeia para reforçar regras fiscais, de segurança e de proteção ao consumidor. O objetivo é reduzir brechas que favorecem empresas de fora do bloco, especialmente no segmento conhecido como ultra fast fashion.

Diferentemente do fast fashion tradicional — modelo adotado por redes como Zara e H&M — o ultra fast fashion opera com ciclos ainda mais rápidos de produção e venda, com volumes elevados e preços muito baixos.

Pressão política na França

A França tem sido um dos países mais críticos à atuação da Shein e da Temu na Europa.

Em junho de 2025, o Senado francês aprovou um projeto de lei que pode dificultar a atuação dessas plataformas no país. A proposta distingue o fast fashion tradicional do ultra fast fashion e prevê restrições, como a proibição de publicidade para empresas chinesas do setor, caso a medida seja implementada.

Em fevereiro, o ministro francês das Pequenas e Médias Empresas, Serge Papin, afirmou à emissora TV TF1 que 2026 será marcado por ações de resistência às plataformas internacionais de moda rápida. Segundo ele, há concorrência desleal entre empresas chinesas e o comércio local.

Papin argumenta que, enquanto lojas físicas são diretamente responsáveis pelos produtos que vendem, plataformas como a Shein não assumem a mesma responsabilidade sobre itens comercializados em seus marketplaces.

Polêmica com bonecas sexuais

Outro episódio que elevou a tensão ocorreu em novembro de 2025, quando o escritório antifraude da França acusou a Shein de vender bonecas sexuais com aparência infantil.

De acordo com a autoridade francesa, a descrição e a categorização dos produtos no site indicavam a natureza ilegal dos itens. O ministro das Finanças da França, Roland Lescure, declarou que, caso as vendas continuassem, o país poderia proibir o acesso à plataforma.

Lescure classificou os produtos como “horríveis e ilegais”, reforçando a possibilidade de medidas mais severas contra a empresa.

Próximos passos

A investigação da União Europeia pode resultar em sanções financeiras significativas e exigências de mudanças estruturais na plataforma, caso sejam confirmadas irregularidades.

A Shein ainda poderá apresentar defesa durante o processo. O desfecho do caso pode influenciar diretamente o modelo de operação de grandes plataformas digitais no mercado europeu e redefinir regras para o comércio eletrônico internacional.


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