A corrida é um dos esportes que mais crescem no Brasil. No último ano, o país atingiu a marca de 15 milhões de praticantes, dois milhões a mais do que no ano anterior, segundo o estudo “Por Dentro do Corre”, da Olympikus em parceria com a Box 1824. O aumento do interesse também se reflete nas buscas online: a procura por “tênis de corrida” cresceu 170% nos últimos cinco anos, de acordo com a consultoria Macfor.
Diante de tantos lançamentos e tecnologias disponíveis no mercado, surge a dúvida: o que realmente deve ser considerado na hora da compra? Para esclarecer a Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (Sonafe Brasil) explica que não existe um modelo ideal para todos. A escolha deve ser individualizada.
Os quatro pilares na escolha do tênis de corrida
Segundo a Sonafe Brasil, quatro fatores são determinantes na hora de escolher um tênis de corrida:
1. Anatomia do pé
O formato do pé influencia diretamente no conforto e na estabilidade.
- Pés largos podem sofrer compressão em modelos estreitos, aumentando o risco de atrito e formação de calos.
- Pés mais estreitos podem ficar instáveis em tênis largos demais.
O ajuste correto evita desconfortos e reduz a chance de lesões relacionadas ao atrito e à falta de firmeza.
2. Biomecânica da corrida
A antiga divisão entre pisada neutra, pronada ou supinada já não é o único critério relevante. É preciso observar:
- Forma de aterrissagem (antepé, mediopé ou retropé);
- Cadência da corrida;
- Distribuição do impacto.
Esses fatores influenciam como o corpo absorve a carga gerada a cada passada.
3. Experiência e ritmo do corredor
Nem sempre o modelo mais caro é o mais indicado, especialmente para iniciantes.
Corredores que estão começando não precisam, necessariamente, de tênis com placa de carbono ou voltados exclusivamente à performance. Modelos mais simples e estáveis costumam oferecer segurança suficiente para quem ainda está desenvolvendo resistência e técnica.
4. Conforto
O conforto é um critério essencial. O tênis deve se adaptar bem ao pé e proporcionar sensação de estabilidade durante a corrida. A escolha não deve se basear apenas na estética ou na marca.
Pisada deixou de ser critério isolado
A classificação por tipo de pisada perdeu protagonismo nos últimos anos. Grandes marcas reduziram a produção de modelos específicos para pronadores ou supinadores.
No entanto, em casos mais acentuados, pode ser necessária avaliação individual com profissional especializado. A orientação técnica ajuda a identificar necessidades específicas e evitar erros na compra.
Amortecimento previne lesões?
O amortecimento é um dos itens mais valorizados pelos consumidores, mas não atua sozinho na prevenção de lesões.
Segundo a Sonafe Brasil, ainda não há evidências robustas que comprovem que o amortecimento, isoladamente, seja determinante para evitar problemas. A absorção de impacto depende também de fatores como:
- Força muscular;
- Coordenação;
- Biomecânica individual;
- Tipo de treino realizado.
Ou seja, o tênis é apenas uma parte do conjunto.
Usar o tênis errado pode causar lesões?
Sim. O uso inadequado pode provocar desde bolhas e calos até quadros mais complexos, como:
- Tendinopatia;
- Fascite plantar, inflamação que causa dor na sola do pé, principalmente no calcanhar.
Além disso, o desgaste do calçado é um fator de risco. Sinais como deformação da estrutura e desgaste irregular do solado indicam que o tênis pode ter perdido estabilidade.
A vida útil média varia entre 700 e 800 quilômetros, mas pode mudar conforme o modelo e o volume de uso.
Cada treino exige um tipo de tênis
O terreno também deve ser considerado na escolha.
- Para asfalto e esteira: modelos com maior absorção de impacto são mais indicados.
- Para trilhas: o ideal é optar por tênis com mais tração, estabilidade e cabedal resistente, capaz de suportar contato com pedras, raízes e variações climáticas.
Escolher o modelo adequado para cada tipo de treino reduz o risco de escorregões e torções.
Erros mais comuns na hora da compra
Entre os equívocos mais frequentes, o especialista destaca:
- Associar maciez à capacidade de amortecimento;
- Acreditar que quanto mais leve o tênis, melhor.
Modelos muito leves podem ter menos componentes estruturais, exigindo maior preparo muscular do corredor. Sem esse preparo, o risco de lesões aumenta.
Com o crescimento da corrida no Brasil, a escolha do tênis deixou de ser apenas uma decisão estética. Considerar características individuais, tipo de treino e nível de experiência é essencial para garantir desempenho e segurança. Mais do que seguir tendências, o ideal é priorizar conforto, estabilidade e orientação especializada quando necessário.
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