O pai da adolescente, de 17 anos, encontrada morta após semanas de buscas foi denunciado pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). Segundo a acusação, ele teria sequestrado, matado e ocultado o corpo da própria filha em um crime cometido em contexto de violência doméstica. O caso ocorreu em Itajaí, no fim de novembro de 2025, e o corpo foi localizado em janeiro deste ano.
A denúncia foi apresentada pela promotora de Justiça Micaela Cristina Villain, da 1ª Promotoria de Justiça de Itajaí, e aponta que a jovem teria sido retirada a força do imóvel onde residia, na madrugada de 30 de novembro de 2025.
Dinâmica do crime, segundo o MPSC
De acordo com o Ministério Público, o denunciado teria utilizado um dispositivo de eletrochoque para ameaçar e dominar a adolescente antes de colocá-la em um veículo. Ela teria sido levada para um local ermo na zona rural de Itajaí.
A acusação sustenta que, entre a madrugada de 30 de novembro e 1º de dezembro, o homem teria matado a filha. O crime, conforme o MPSC, teria sido motivado por vingança, após uma condenação criminal anterior imposta ao denunciado por crimes sexuais praticados contra a própria adolescente.
A denúncia aponta ainda:
- Motivo torpe;
- Emprego de meio cruel;
- Uso de recursos que dificultaram a defesa da vítima;
- Imobilização com abraçadeiras plásticas;
- Utilização de fita adesiva.
Ocultação do corpo no Rio Grande do Sul
Após o homicídio, o acusado teria transportado o corpo até um sítio de sua propriedade no município de Caraá (RS). Segundo o MPSC, o cadáver foi ocultado em uma valeta, em área de mata fechada, coberto com lona e pedras.
O corpo da adolescente foi encontrado em 16 de janeiro de 2026.
Crimes imputados e pedido de indenização
O Ministério Público enquadrou a conduta nos crimes de:
- Sequestro qualificado;
- Feminicídio majorado;
- Ocultação de cadáver;
A acusação foi oferecida com amparo da Lei Henry Borel. O MPSC requer o recebimento da denúncia, a submissão do réu a julgamento pelo Tribunal do Júri e a fixação de indenização mínima de R$ 100 mil em favor da família da vítima, a título de reparação pelos danos causados.
“Acompanhamos este caso desde o registro do desaparecimento da adolescente. Foi uma investigação dolorosa, que revelou uma sequência de violências extremamente graves dentro do próprio ambiente familiar. A denúncia apresentada pelo Ministério Público representa um passo essencial para a busca de justiça e para a proteção de meninas e mulheres em situação de violência”, afirmou a promotora de Justiça Micaela Cristina Villain.
O caso segue em tramitação no Poder Judiciário.
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