O pároco da Paróquia Santa Bárbara, padre Wilson Buss, participou na manhã desta quarta-feira (18), da Rádio Cidade em Dia 89.1 FM, do Grupo SCTODODIA de Comunicação, em entrevista conduzida pela jornalista Manuela Oliveira. Durante a conversa, ele explicou o significado da Quarta-feira de Cinzas, que marca o início da Quaresma, e reforçou o chamado à conversão por meio da oração, do jejum e da caridade.
Segundo o sacerdote, a Quarta-feira de Cinzas não deve ser compreendida de forma isolada, mas como o ponto de partida de um caminho de 40 dias que conduz à Páscoa da Ressurreição. “É um tempo de penitência e mudança de vida para que possamos ressuscitar com Cristo”, afirmou.
O simbolismo das cinzas
O padre explicou que o uso das cinzas remonta ao Antigo Testamento, quando eram utilizadas como sinal público de arrependimento e penitência. Ao longo da tradição cristã, o gesto passou a representar não apenas a conversão, mas também a consciência da fragilidade humana.
“A expressão ‘és pó e ao pó voltarás’ recorda a transitoriedade da vida. Temos um tempo finito aqui, mas a fé cristã nos aponta para a vida plena junto a Deus”, destacou.
As cinzas utilizadas na celebração são preparadas a partir da queima dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior, simbolizando a continuidade da caminhada litúrgica da Igreja.
Jejum, oração e caridade na prática
Durante a entrevista, padre Wilson Buss ressaltou que o jejum não se limita à abstinência de carne ou alimentos, prática recomendada na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. Ele propôs uma reflexão mais ampla, incluindo o jejum de atitudes negativas.
“Jejuar pode significar silenciar diante de uma ofensa, evitar palavras de agressividade, especialmente nas redes sociais. Às vezes, o silêncio é uma resposta mais sábia”, afirmou.
Sobre a oração, o sacerdote orientou que o fiel busque momentos de escuta da Palavra de Deus e participação nas celebrações. Já a caridade deve se manifestar em atitudes concretas, como a escuta atenta ao próximo e o cuidado com os mais vulneráveis.
Campanha da Fraternidade e moradia digna
Outro ponto abordado foi a Campanha da Fraternidade, que neste ano traz como tema “Fraternidade e Moradia”, com o lema “Ele veio morar entre nós”. O padre destacou que a iniciativa convida a sociedade a refletir sobre o direito à moradia digna.
Ele citou dados que apontam milhões de famílias brasileiras sem acesso à habitação adequada e reforçou que a Constituição Federal reconhece a moradia como um direito social. “Antes de ser especulação imobiliária, moradia é dignidade”, afirmou.
A Diocese também preparou um material de reflexão dividido em cinco eixos: a presença de Deus na vida pessoal, na família, na comunidade, no mundo e, por fim, na esperança da ressurreição.
Abstinência de carne e sentido da penitência
Questionado sobre a tradição de não consumir carne na Sexta-Feira Santa, padre Wilson explicou que a prática é um gesto simbólico de penitência e recordação da morte de Cristo. Ele ressaltou que o essencial é o espírito de conversão e domínio próprio.
“O jejum nos ajuda a perceber que não somos escravos dos nossos impulsos. É um exercício para servir melhor a Deus e às pessoas”, concluiu.
Ao final da entrevista, o sacerdote convidou os fiéis a participarem das celebrações e a iniciarem a Quaresma com reflexão e compromisso concreto de mudança.
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