Dia do Combate ao alcoolismo alerta para riscos de violência dentro de casa

Data nacional reforça que o consumo excessivo de álcool amplia conflitos familiares e está associado a casos de agressão no ambiente doméstico

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 18 de fevereiro de 2026

6 min.
Dia Nacional do Combate ao Alcoolismo reforça ligação entre consumo abusivo de álcool e aumento da violência doméstica

Dia Nacional do Combate ao Alcoolismo reforça ligação entre consumo abusivo de álcool e aumento da violência doméstica. - Foto: Vinicius "amnx" Amano/ Unsplash

O Dia Nacional do Combate ao Alcoolismo, celebrado em 18 de fevereiro, amplia o debate sobre os impactos do consumo abusivo de álcool na sociedade. Além dos prejuízos à saúde, dados nacionais e internacionais apontam que a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas está ligada ao aumento da violência doméstica, um problema que atinge milhares de famílias brasileiras.

Embora socialmente aceito e presente em diferentes contextos culturais, o álcool pode provocar efeitos que ultrapassam o indivíduo. Quando consumido em grandes quantidades, especialmente em curto espaço de tempo, ele reduz o controle dos impulsos, altera o julgamento e pode intensificar comportamentos agressivos.

Relação entre álcool e agressões

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) destaca que o consumo abusivo de álcool está associado ao maior risco de violência entre parceiros íntimos nas Américas. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o álcool como um dos principais fatores de risco para mortes prematuras e incapacidades na região.

No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que a suspeita de ingestão de bebida alcoólica pelo agressor aparece em cerca de 30% dos atendimentos de violência doméstica realizados em serviços especializados. O ambiente doméstico permanece como o principal local das agressões contra mulheres.

Em entrevista à Rádio Cidade, a delegada regional da Polícia Civil de Laguna, Vivian Selig, ressaltou que situações de embriaguez são recorrentes em ocorrências envolvendo conflitos familiares. Segundo ela, políticas de prevenção ao abuso de álcool também funcionam como ferramenta de proteção às famílias.

Problema estrutural e multifatorial

Especialistas reforçam que a violência doméstica não pode ser atribuída exclusivamente ao consumo de álcool. Fatores como desigualdade de gênero, histórico de violência, conflitos recorrentes e acesso facilitado a armas também influenciam o cenário.

Levantamentos nacionais apontam que aproximadamente metade dos feminicídios no Brasil ocorre com o uso de arma de fogo e, em grande parte dos casos, dentro da residência da vítima. A combinação entre abuso de álcool, desentendimentos prévios e presença de armas é considerada de alto risco.

Impactos na saúde e na segurança pública

O consumo excessivo de álcool também está relacionado a doenças hepáticas, transtornos mentais, acidentes de trânsito e afastamentos do trabalho, gerando sobrecarga nos sistemas de saúde e segurança pública.

O enfrentamento ao alcoolismo envolve ações integradas de prevenção, tratamento e conscientização. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento especializado por meio dos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD), além de acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde.

Onde buscar ajuda

Para quem enfrenta problemas com o álcool, estão disponíveis:

  • Unidades Básicas de Saúde (UBS);
  • Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (Caps AD);
  • Grupos de apoio como Alcoólicos Anônimos (AA);
  • Disque Saúde 136.

Em situações de violência doméstica, a orientação é procurar:

  • Central de Atendimento à Mulher – 180 (gratuito e sigiloso);
  • Polícia Militar – 190, em caso de emergência;
  • Delegacias de Proteção à Mulher em Santa Catarina.

O Dia Nacional do Combate ao Alcoolismo reforça que o consumo abusivo não afeta apenas quem bebe. Ele pode comprometer a segurança dentro de casa, agravar conflitos e perpetuar ciclos de violência. A informação e o acesso à rede de apoio são passos essenciais para proteger vidas e fortalecer as famílias.


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