Na noite de 17 de fevereiro de 2026, por volta das 20h30, uma família foi resgatada após o carro em que estava ser arrastado pela correnteza e cair em um rio na Rua Celeste, no bairro Laranjinha, em Criciúma. A ocorrência mobilizou a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiros em meio a forte chuva, baixa visibilidade e risco iminente de morte.
A guarnição do 9º Batalhão de Polícia Militar, composta pelo sargento Jonas e pelo cabo Garcia, foi acionada pela Central Regional de Emergência para atender inicialmente a um acidente de trânsito. No local, testemunhas informaram que um veículo FIAT/Argo havia sido levado pela enxurrada, com duas pessoas submersas.
Cenário crítico e decisão imediata
Ao chegarem, os policiais se depararam com um cenário adverso: chuva intensa, mata fechada, terreno íngreme e correnteza forte. Segundo o sargento Jonas, a prioridade foi avaliar o ambiente e acionar o Corpo de Bombeiros, enquanto a equipe já iniciava as primeiras tentativas de salvamento.
As vítimas estavam a cerca de 25 a 30 metros da margem. A visibilidade era praticamente nula, e os policiais conseguiam apenas ouvir os gritos de socorro. Uma das vítimas utilizava a lanterna do celular, o que ajudou a indicar a localização aproximada.
Sem equipamentos específicos para resgate aquático, a equipe utilizou uma corda disponível na viatura.
Resgate com técnica improvisada
De acordo com o cabo Garcia, a água já estava na altura da cintura na margem e chegava a níveis mais altos no ponto onde o carro estava submerso. Para avançar com segurança, os policiais aplicaram uma técnica conhecida como “ponta a ponta”: enquanto um permanecia ancorado na corda, o outro avançava até uma árvore, fixava apoio e permitia a progressão do parceiro.
“A correnteza estava muito forte. Qualquer descuido poderia nos arrastar também”, relatou o cabo.
Após uma primeira tentativa sem sucesso, a dupla entrou pela lateral da mata, enfrentando terreno irregular e água até o joelho, até conseguir se aproximar da vítima feminina. Os policiais conseguiram estabelecer contato verbal, tranquilizá-la e orientá-la a se aproximar de uma árvore.
Com a corda lançada, a vítima conseguiu se segurar e foi puxada até um ponto mais firme e seguro. Segundo o sargento Jonas, o trabalho psicológico foi fundamental para que ela obedecesse às orientações em meio ao desespero.
Apoio dos bombeiros e salvamento da segunda vítima
Enquanto a Polícia Militar realizava o primeiro resgate, outra equipe do Corpo de Bombeiros acessou o local pelo lado oposto do rio. A vítima masculina foi retirada com o apoio dos bombeiros pouco depois.
Segundo os policiais, se não houvesse intervenção imediata, o desfecho poderia ter sido trágico, já que os bombeiros chegaram inicialmente ao outro lado do rio, o que exigiria tempo adicional para atravessar até o ponto onde as vítimas estavam.
Comando classifica ação como ato de heroísmo
O tenente-coronel Mário Luiz Silva, comandante do 9º Batalhão, avaliou a atuação como um “ato de heroísmo”. Ele destacou que o salvamento aquático não é atribuição primária da Polícia Militar, mas que, diante do risco iminente, os policiais decidiram agir mesmo sem os equipamentos adequados.
“Eles se lançaram em uma corredeira, colocando a própria vida em risco para salvar pessoas que nem conheciam. Não há como definir isso de outra forma”, afirmou.
O comandante também ressaltou que, na maioria das situações de crise, a Polícia Militar é o primeiro órgão do Estado acionado pela população, assumindo a linha de frente no atendimento emergencial.
Compromisso com a preservação da vida
O caso evidencia a atuação da Polícia Militar além das funções tradicionais de preservação da ordem pública. Em situações extremas, como a registrada em Criciúma, a resposta rápida e a iniciativa dos policiais foram determinantes para preservar duas vidas.
A ocorrência reforça ainda o alerta para os riscos durante períodos de chuvas intensas, especialmente em áreas próximas a rios e córregos, onde o nível da água pode subir rapidamente e provocar acidentes.
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