O ex-presidente Jair Bolsonaro definiu que a chapa do Partido Liberal (PL) ao Senado em Santa Catarina será formada por Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni. A decisão, comunicada a aliados nos últimos dias, altera a composição que vinha sendo discutida internamente e tende a ampliar as divisões no campo da direita no estado.
A informação foi confirmada à Folha de S.Paulo por interlocutores do ex-presidente, após visita do deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), que relatou ter ouvido de Bolsonaro a definição dos dois nomes. Segundo ele, a escolha foi tomada de forma definitiva.
O que muda na composição da chapa
Até o início de fevereiro, a direção do PL havia anunciado que os nomes ao Senado seriam Carlos Bolsonaro e o senador Esperidião Amin (PP), aliado histórico do bolsonarismo em Santa Catarina. Com a nova decisão, Amin fica fora da chapa, e o partido consolida uma composição exclusivamente com filiados da legenda.
A mudança atende também a uma preferência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que defendia o nome da deputada federal Caroline de Toni para a disputa.
Principais pontos da decisão:
- Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni serão os candidatos do PL ao Senado por SC;
- Esperidião Amin deixa de integrar a composição inicialmente anunciada;
- A chapa passa a ser formada exclusivamente por nomes do PL;
- A decisão encerra um impasse interno, mas abre novas tensões políticas.
Impacto na relação com Jorginho Mello
A definição pode afetar a relação com o governador Jorginho Mello (PL), que deve disputar a reeleição em 2026. O governador preferia manter Esperidião Amin na chapa, como forma de ampliar alianças e fortalecer a coligação majoritária no estado.
A permanência de Amin era vista como estratégica para agregar o Progressistas (PP) ao projeto eleitoral em Santa Catarina. Com a exclusão, o cenário de alianças pode sofrer alterações.
Impasse interno e ameaça de saída
Quando seu nome ficou fora da primeira composição anunciada, Caroline de Toni chegou a comunicar que deixaria o PL e negociava filiação ao Novo. A movimentação poderia dividir o eleitorado bolsonarista no estado.
A nova decisão reverte esse cenário e mantém a deputada na legenda. Internamente, há entendimento de que Bolsonaro terá a prerrogativa de definir os candidatos ao Senado, enquanto o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, concentrará as escolhas para governos estaduais e para a Câmara dos Deputados.
Repercussões nacionais
A exclusão de Esperidião Amin também pode ter reflexos fora de Santa Catarina. O PP integra federação com o União Brasil, grupo considerado estratégico para um eventual projeto presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Parte da cúpula do partido, especialmente no Nordeste, resiste a um alinhamento formal ao bolsonarismo. O presidente nacional do PP, por sua vez, tem adotado postura cautelosa e buscado diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em articulações locais.
Amin pode disputar mesmo fora da chapa
Aliados de Esperidião Amin afirmam que o senador deverá disputar o Senado independentemente da composição final das chapas. Ele prefere integrar a coligação do PL, mas não descarta candidatura própria.
A entrada de Carlos Bolsonaro no cenário catarinense foi o ponto de inflexão do impasse. Ex-vereador no Rio de Janeiro, ele transferiu o domicílio eleitoral para Santa Catarina após a concentração de candidaturas de direita na capital fluminense.
Com a definição da chapa, o PL organiza seu tabuleiro para 2026, mas o cenário eleitoral em Santa Catarina ainda deve passar por novos ajustes à medida que as alianças se consolidarem.
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