Morte de El Mencho provoca caos e escalada de violência no México

No domingo, após a confirmação da morte do líder do Cartel Jalisco Nova Geração, ataques foram registrados em diferentes regiões do país

Eduardo Fogaça

Publicado em: 23 de fevereiro de 2026

6 min.
Morte de El Mencho provoca caos e escalada de violência no México. Foto: REUTERS

Morte de El Mencho provoca caos e escalada de violência no México. Foto: REUTERS

A morte de Nemesio “El Mencho” Oseguera Cervantes desencadeou uma onda de violência e tensão institucional no México, com reflexos imediatos na segurança pública, no turismo e nas relações internacionais. No domingo (22), após a confirmação da morte do líder do Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), ataques coordenados foram registrados em diferentes regiões do país.

A reação de grupos criminosos incluiu incêndio de ônibus, bloqueios de rodovias, confrontos armados com forças de segurança e ataques a estabelecimentos comerciais. A escalada levou governos estrangeiros a emitirem alertas a seus cidadãos e companhias aéreas a suspenderem voos para destinos turísticos.

Escalada da violência em vários estados

Logo após a operação militar que resultou na morte do narcotraficante, supostos integrantes do CJNG iniciaram ações violentas principalmente no estado de Jalisco, mas os reflexos foram sentidos em outras regiões.

Segundo autoridades mexicanas:

  • 25 integrantes da Guarda Nacional morreram durante os confrontos;
  • Uma civil também perdeu a vida;
  • Cerca de 30 suspeitos foram mortos;
  • Pelo menos 70 pessoas foram presas em sete estados.

Imagens divulgadas por emissoras internacionais mostraram incêndios e colunas de fumaça em Puerto Vallarta, um dos principais destinos turísticos do país. Farmácias, lojas de conveniência e veículos foram incendiados.

A violência gerou pânico em áreas urbanas e turísticas, afetando diretamente moradores e visitantes.

Impacto no turismo e no transporte aéreo

A insegurança teve efeito imediato no setor aéreo. Companhias como American Airlines e Air Canada suspenderam voos para Puerto Vallarta. Turistas ficaram temporariamente retidos em aeroportos enquanto autoridades avaliavam a situação.

No Aeroporto Internacional de Guadalajara, passageiros buscaram abrigo após relatos de fumaça nas proximidades. Posteriormente, a Agência Federal de Aviação Civil informou que os aeroportos de Guadalajara, Puerto Vallarta e Tepic retomaram as operações ainda no domingo.

O episódio levanta preocupação sobre os impactos econômicos da crise de segurança, especialmente em regiões que dependem do turismo internacional.

Pressão internacional e alerta diplomático

Diversos países orientaram seus cidadãos a evitarem deslocamentos nas áreas afetadas. Entre as recomendações estavam:

  • Permanecer em residências ou hotéis até novo aviso;
  • Evitar viagens não essenciais;
  • Acompanhar comunicados oficiais;
  • Manter contato com companhias aéreas sobre possíveis cancelamentos.

Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Austrália, China, Índia e Nova Zelândia emitiram alertas formais. O presidente americano, Donald Trump, voltou a cobrar maior rigor do México no combate aos cartéis.

O CJNG foi classificado pelos EUA como organização terrorista em fevereiro de 2025, o que amplia o peso diplomático e jurídico das ações envolvendo o grupo.

Risco de reorganização criminosa

Especialistas em segurança apontam que a morte de um líder de cartel nem sempre representa enfraquecimento imediato da organização. O CJNG é descrito por autoridades americanas como uma estrutura descentralizada, semelhante a um sistema de franquias, com cerca de 90 grupos associados.

Essa fragmentação pode gerar dois cenários:

  • Disputa interna por poder, elevando ainda mais a violência;
  • Continuidade das operações de tráfico com novos líderes assumindo o comando.

O cartel é considerado um dos principais fornecedores de fentanil ilícito para os Estados Unidos, além de atuar na produção e tráfico de metanfetamina e cocaína.

Governo tenta conter crise

Apesar da gravidade dos confrontos, a presidente do México, Claudia Sheinbaum, declarou nesta segunda-feira (23) que a “paz, a segurança e a normalidade estão sendo mantidas”.

A operação que resultou na morte de El Mencho contou com apoio de inteligência dos Estados Unidos, segundo confirmou a Secretaria de Defesa Nacional. Ainda não foram detalhados os desdobramentos da cooperação entre os dois países.

A crise reacende o debate sobre a eficácia das estratégias de enfrentamento ao narcotráfico e sobre o impacto dessas operações na estabilidade social e econômica do México.


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