Dólar fecha a R$ 5,15 e Ibovespa bate recorde

Dólar cai 0,26% e fecha a R$ 5,15, menor nível desde 2024. Ibovespa sobe 1,40% e atinge novo recorde histórico

Ewertom Rodrigues

Publicado em: 24 de fevereiro de 2026

7 min.
Moeda atinge menor valor desde 2024, enquanto bolsa sobe 1,40% com foco nas tarifas dos EUA e nos juros americanos

Moeda atinge menor valor desde 2024, enquanto bolsa sobe 1,40% com foco nas tarifas dos EUA e nos juros americanos. - Foto: REUTERS/Dado Ruvic

O dólar fechou em queda de 0,26% nesta terça-feira (24), cotado a R$ 5,1553 — o menor patamar desde 28 de maio de 2024. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 1,40% e encerrou o pregão aos 191.490 pontos, registrando um novo recorde histórico de fechamento.

O movimento dos mercados foi influenciado, principalmente, pelo início da nova tarifa adicional de 10% aplicada pelos Estados Unidos sobre produtos que não estejam cobertos por isenções, além de discursos de dirigentes do Federal Reserve (Fed), o banco central norte-americano.

Dólar recua ao menor nível desde 2024

A moeda norte-americana chegou a subir na primeira metade do pregão, mas inverteu o sinal e fechou em baixa. Na mínima do dia, atingiu R$ 5,1424.

Confira o desempenho do dólar em 2026:

  • Acumulado da semana: -0,40%
  • Acumulado do mês: -1,76%
  • Acumulado do ano: -6,07%

A expectativa predominante no mercado é de manutenção dos juros nos Estados Unidos na próxima reunião do Fed. Segundo a ferramenta FedWatch, do CME Group, 98% dos investidores apostam que as taxas serão mantidas em março.

Em geral, juros mais altos nos EUA fortalecem o dólar e atraem capital estrangeiro. Para o Brasil, isso pode significar pressão sobre o câmbio e a inflação, com possíveis reflexos na política de juros do Banco Central.

Ibovespa renova máxima histórica

Enquanto o dólar recuou, o Ibovespa avançou 1,40% e atingiu 191.490 pontos, novo recorde de fechamento.

Veja o desempenho do índice em 2026:

  • Acumulado da semana: +0,50%
  • Acumulado do mês: +5,58%
  • Acumulado do ano: +18,85%

O apetite por risco também foi impulsionado pelo desempenho positivo em Wall Street. Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 0,76%, o S&P 500 avançou 0,78% e a Nasdaq ganhou 1,05%.

Tarifas dos EUA entram em vigor

Passou a valer nesta terça-feira a tarifa adicional de 10% sobre produtos importados pelos Estados Unidos que não estejam na lista de isenções. A medida foi confirmada pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).

O percentual corresponde ao valor anunciado pelo presidente Donald Trump na sexta-feira (20). Apesar de o republicano ter mencionado uma taxa de 15% no sábado (21), a expectativa, segundo o jornal Financial Times, é que esse aumento seja formalizado posteriormente por decreto.

No caso do Brasil, vários produtos estão na lista de isenção, mas setores como aço e alumínio continuam sujeitos à tarifa de 50%, que agora se soma aos 10% adicionais.

Ainda assim, estudo da Global Trade Alert aponta que o Brasil está entre os países mais beneficiados pelas mudanças tarifárias, com redução média de 13,6 pontos percentuais nas tarifas.

Déficit externo recua em 12 meses

Na agenda econômica, o Banco Central informou que o déficit em transações correntes foi de US$ 8,4 bilhões em janeiro de 2026. Apesar de acima da expectativa de mercado (US$ 6,4 bilhões), o resultado foi menor que o registrado em janeiro de 2025, quando o rombo foi de US$ 9,8 bilhões.

Nos últimos 12 meses até janeiro, o déficit caiu para US$ 67,6 bilhões, equivalente a 2,92% do PIB — abaixo dos 3,35% registrados no mesmo período do ano anterior.

O superávit da balança comercial de bens foi de US$ 3,5 bilhões em janeiro, com exportações de US$ 25,3 bilhões e importações de US$ 21,8 bilhões.

Fed sinaliza cautela com juros

Dirigentes do Federal Reserve reforçaram cautela na condução da política monetária. A diretora Lisa Cook destacou que o avanço da inteligência artificial pode provocar mudanças estruturais no mercado de trabalho, com possível impacto na taxa de desemprego.

Já o presidente do Fed de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou que novos cortes de juros podem ocorrer até o fim de 2026, caso a inflação recue de forma consistente para a meta de 2%. No entanto, alertou para o risco de antecipar flexibilizações sem evidências claras de desaceleração inflacionária.

Acordo Mercosul-União Europeia avança

No Brasil, a representação brasileira no Parlamento do Mercosul aprovou o acordo de livre comércio entre o bloco e a União Europeia. O texto segue agora para o Plenário da Câmara.

O tratado, negociado há mais de 25 anos, prevê redução gradual de tarifas e regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, além de diretrizes sobre investimentos e padrões regulatórios.


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