CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha

A medida faz parte da investigação sobre supostos desvios no repasse de benefícios a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social

Eduardo Fogaça

Publicado em: 26 de fevereiro de 2026

5 min.
CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha. Foto: Agência Senado

CPMI do INSS aprova quebra de sigilo de Lulinha. Foto: Agência Senado

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS aprovou nesta quinta-feira (26) a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida faz parte da investigação sobre supostos desvios no repasse de benefícios a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social.

A comissão apura um esquema que teria envolvido descontos indevidos nos benefícios pagos pelo INSS. O nome de Lulinha foi citado como possível beneficiário durante uma das fases da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal (PF).

Embora mencionado nas investigações, ele ainda não foi alvo direto da operação da PF.

Suposto envolvimento no esquema

De acordo com investigadores, há menções diretas e indiretas que apontariam Lulinha como possível “sócio oculto” de Antonio Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”.

Antunes é apontado como intermediador do suposto esquema. Segundo as apurações, ele receberia valores descontados indevidamente de aposentados e pensionistas e repassaria parte dos recursos a servidores do instituto.

Em depoimento à Polícia Federal, Edson Claro, ex-funcionário de Antunes, afirmou que Lulinha receberia uma “mesada” de R$ 300 mil. O mesmo valor aparece em troca de mensagens entre Antunes e a empresária Roberta Luchsinger, na qual ele menciona a necessidade de repassar R$ 300 mil ao “filho do rapaz”.

Posição do presidente Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou publicamente que, caso haja irregularidades, o filho deverá responder por elas. Segundo o petista, “se tiver alguma coisa”, Lulinha pagará o “preço”.

Até o momento, não há decisão judicial que comprove o envolvimento do filho do presidente no esquema investigado.

Outros familiares citados

A CPMI também discute a atuação de entidades ligadas ao tema. O irmão do presidente, Frei Chico, é presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), instituição que tem sido alvo de questionamentos por parte da oposição.

Entre 2020 e 2024, os valores repassados pelo INSS ao Sindnapi cresceram 564%, segundo dados apresentados na comissão.

Quebras de sigilo e próximos passos

O pedido de quebra de sigilo bancário e fiscal de Lulinha foi apresentado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AP). Com a aprovação, os parlamentares poderão acessar extratos, movimentações financeiras, declarações de Imposto de Renda e contratos.

O objetivo é verificar a existência de entradas financeiras compatíveis com a suposta “mesada” mencionada nas investigações.

Além desse requerimento, outros 87 pedidos foram aprovados em bloco. Entre eles, a convocação de João Roma (PL-BA), ex-ministro da Cidadania no governo Bolsonaro, e a quebra de sigilos do Banco Master, investigado por supostas fraudes financeiras.

A sessão foi suspensa após confusão entre integrantes da comissão. Até então, a base governista vinha conseguindo barrar requerimentos da oposição, mas, nesta votação, a oposição conseguiu aprovar pedidos considerados estratégicos.

As investigações da CPMI continuam, e novos depoimentos e análises de documentos devem ocorrer nas próximas semanas.


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